25/07/12 08h57 25/07/12 09h08

Caso Cachoeira: testemunhas de acusação confirmam esquema criminoso

Bicheiro é acusado de liderar esquema de exploração de jogos ilegais no Centro-Oeste investigado pela Operação Monte Carlo
Débora Zampier e Lia Kunzler
Repórteres da EBC

Brasília e Goiânia – O primeiro dia de depoimentos da Operação Monte Carlo na Justiça Federal em Goiânia, reservado à oitiva das testemunhas, ocorreu nessa terça-feira, 24, em Goiânia com atrasos no cronograma inicial. Catorze pessoas deveriam falar ao longo do dia, mas, até o momento, só duas testemunhas de acusação foram ouvidas. Elas confirmaram a existência de esquema criminoso liderado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

A audiência, coordenada pelo juiz Alderico Rocha, começou por volta das 9 horas. Carlinhos Cachoeira chegou quase uma hora antes do início da sessão para acompanhar os depoimentos. Ele foi transferido de Brasília, onde estava detido, para Goiânia, na segunda-feira,  23. Cachoeira é acusado de liderar esquema de exploração de jogos ilegais no Centro-Oeste investigado pela Operação Monte Carlo.

A esposa de Cachoeira, Andressa Mendonça, e o pai, Sebastião Ramos, compareceram à audiência e defenderam o empresário das acusações. “Ele é um Cristo, está sofrendo na mão dos outros”, disse o pai de Cachoeira, insistindo que o processo contra seu filho é uma questão política.

Mesada 
O primeiro a depor foi o policial federal Fábio Alvarez, que trabalhou como analista das escutas da Operação Monte Carlo. Ele afirmou que as investigações evidenciaram a existência da organização criminosa chefiada por Cachoeira e que o empresário pagava “mesadas” a autoridades públicas e a civis para manter o esquema.

Alvarez ainda disse que o policial Wilton Tapajós, assassinado na semana passada em um cemitério de Brasília, foi abordado por policiais militares enquanto investigava a quadrilha de Cachoeira. Segundo o depoente, esses militares podem estar ligados ao grupo do empresário goiano.

A segunda testemunha ouvida foi o policial federal Luiz Carlos Pimentel, que confirmou as declarações de Alvarez e deu mais detalhes sobre as investigações e as escutas. Ele negou que o delegado da Polícia Federal Fernando Byron, acusado de vazar informações sigilosas para o grupo de Cachoeira, estivesse infiltrado no grupo por ordem da PF.

Dispensa
Devido ao atraso no cronograma, o procurador Daniel Resende, que atua no caso, acredita que o juiz Alderico Rocha pode dispensar algumas testemunhas – estava previsto o depoimento de quatro testemunhas de acusação e dez de defesa.

O segundo e último dia de depoimentos, com a oitiva dos réus, deveria ocorrer nesta quarta-feira, 25, mas já se considera que as testemunhas podem ser ouvidas até  esta quinta-feira, 26.

O processo da Operação Monte Carlo que corre na Justiça Federal em Goiânia tem mais de 80 réus, mas foi desmembrado em duas partes para agilizar a tramitação em relação àqueles que estavam detidos preventivamente. Atualmente, só Cachoeira e Gleyb Ferreira, um de seus assistentes, estão presos.

Os réus presos e que agora respondem em liberdade são Idalberto Matias de Araújo, José Olímpio de Queiroga Neto, Lenine Araújo de Souza, Raimundo Washington de Sousa Queiroga e Wladimir Garcez. Todos foram convocados para depor amanhã. Geovani da Silva, que tem ordem de prisão decretada, está foragido desde a deflagração da Operação Monte Carlo, no dia 29 de fevereiro e não deverá comparecer à audiência.

Além do processo de Goiânia, a Operação Monte Carlo resultou em outros processos no Supremo Tribunal Federal em relação a parlamentares com foro privilegiado, como o então senador Demóstenes Torres. Como ele foi cassado, o processo deverá ser enviado para a Justiça de primeira instância.
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  • 1º) comentário por em 25/07/12 11h02
    Senhor Cleber Toledo, pelo que entendo corrupção ativa e passiva tem o mesmo teor no Código Penal Brasileiro, assim como os crime por formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, e tantos outros cometidos pelo Cachoeira e demais políticos e funcionários públicos. Ma s até agora o que vemos foi a prisão de cachoeira, a cassação do Senador Demóstenes Torres. A PF tem vasta gravação onde pode acusar sem erro os demais envolvidos, haja visto que são revelados os nomes de cada um.
    (Usuário identificado pelo IP: 201.40.22.130)
  • 2º) comentário por em 25/07/12 11h02
    Continua: Pergunto porque somente o Cachoeira está detido e veja só detido para não atrapalhar as investigações e os que estão soltos não vão atrapalhar também. Tem muita pedra debaixo desse angu.
    (Usuário identificado pelo IP: 201.40.22.130)