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Da Redação
O secretário estadual das Relações Institucionais, Eduardo Siqueira Campos, defendeu ao CT nesta segunda-feira, 9, que não existe motivo que justifique a convocação do governador Siqueira Campos (PSDB) para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, do Congresso Nacional, que investiga a ligação de empresários e políticos com o contraventor Carlinhos Cachoeira. O jornal Folha de S.Paulo informou nesse domingo, 8, que o líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR), quer convocar Siqueira depois de matéria do impresso que mostra que o tucano recebeu 41% de doação para sua campanha em 2010, e somente depois das eleições, de grupos e pessoas ligadas ao bicheiro.
Eduardo disse que, antes de Siqueira, "outras pessoas" teriam que depor. "Se fossemos avaliar o que a CRT [Construtora Rio Tocantins] recebeu dos governos Marcelo Miranda [PMDB], Carlos Gaguim [PMDB] e Siqueira Campos, concluiríamos que outras pessoas teriam que ir depor antes do governador Siqueira Campos", afirmou o secretário.
A CRT, do empresário Rossine Aires Guimarães, tido pela Polícia Federal como sócio de Cachoeira e também já convocado para depor à CPMI, recebeu nos últimos três governos do Tocantins R$ 234 milhões. Desse total, foram R$ 74,7 milhões pagos pelo governo Marcelo, R$ 140,6 milhões por Gaguim e R$ 19,1 por Siqueira. Eduardo ainda lembrou que a CRT não teve contratos novos com o governo Siqueira.
Ele ainda defendeu que os R$ 4,3 milhões, segundo a Folha de S.Paulo, recebidos pela campanha de seu pai após as eleições de 2010 mostram que Siqueira não "era a aposta" do grupo de Cachoeira. Só de Rossine foram R$ 3 milhões. "Não posso dizer que essas empresas ou pessoas são ligadas a Cachoeira, mas, de toda forma, a empresa CRT doou dinheiro no decorrer da campanha para a outra candidatura [de Carlos Gaguim], não para a nossa. Só depois das eleições que fomos procurados por Rossine e outros, que doaram dentro do prazo legal, antes do fechamento do Comitê Financeiro, e ressalto que não procuramos essas pessoas, fomos procurados por elas", reforçou o secretário.
Conforme a Folha, dos R$ 10,5 milhões de receita declarada à Justiça Eleitoral por Siqueira em 2010, R$ 4,3 milhões (41%) foram doados por citados na investigação da Polícia Federal na Operação Monte Carlo. Entre eles, além de Rossine, o sócio de Cachoeira e do senador Demóstenes Torres, Marcelo Henrique Limírio, que atua no setor de medicamentos e doou R$ 300 mil ao Comitê Central de Siqueira.
Outros R$ 500 mil vieram da empresa JM Terraplenagem e Construção, de Goiânia. Numa conversa em Cachoeira e o diretor afastado da Delta chegou a se citar essa doação como resultado de um suposto acordo para o governo Siqueira entregar os serviços do Detran do Estado ao grupo do contraventor, o que Eduardo negou desde quando a revista Época divulgou a informação. Ao CT nesta quinta, ele afirmou que essa empresa é de dois irmãos que não têm nenhuma relação com o contraventor.
Eduardo disse que não vê estranheza nessas doações somente após as eleições de 2010 e ressaltou também que elas foram feitas ao Comitê Financeiro. "Portanto, o dinheiro, que não é ilegal, foi doado ao Comitê Financeiro, para ser usado não só na campanha de Siqueira Campos, mas também dos senadores João Ribeiro [PR] e Vicentinho Alves [PR] e deputados", afirmou.
Detalhamento
O secretário afirmou que deputado Rubens Bueno "é um homem sério" e que conhece sua história e de Siqueira. "Mas só teve informações não detalhadas sobre os fatos, mas a comissão terá conhecimento detalhado aogra sobre o assunto, e ficará claro que a menção é injusta e descabida, assim, essa convocação [do Siqueira par depor na CPMI] não ocorrerá", garantiu Eduardo. "Se você perguntar a qualquer pessoa do Tocantins quem é Rossine, eu te digo, primeiro, que é amigo do Marcelo Miranda, o que não tem irregularidade; segundo, o maior agropecuarista do Estado, o que não é problema; e, terceiro, tem o maior contrato com o Estado, o que também não é problema, porque os contratos, feitos nos governos anteriores, tiveram licitação e de acordo com a lei, sem nenhuma denúncia por órgão de controle."
Para Eduardo, a menção de Siqueira no caso Cachoeira "é uma agressão". "Quem conhece o Siqueira sabe o que ele pensa de jogos e contravenção. É uma pessoa que não bebe, não fuma, e que passa os finais de semana em casa. Além disso, a Delta, que recebeu R$ 1 bilhão do governo federal e R$ 400 milhões do governo do Rio, tinha um contrato de apenas R$ 13 milhões com o governo do Tocantins, dos quais recebeu apenas R$ 1,3 milhão em 17 meses de governo", comparou o secretário.
Ele ainda lembrou que a citação de Siqueira não é considerada pelos próprios membros da CPMI. "Tanto é que foram convocados dois governadores, e o requerimento que pede a convocação de Siqueira sequer foi votado até hoje" disse, numa referência ao requerimento do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que aguarda ser votado. (Foto: Lourenço Bonifácio)


