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Na teia de Cachoeira
Prefeito Raul Filho deve explicar “cachoeiragate” ainda nesta manhã
Da Redação
Assustada, a ex-assessora da primeira-dama e deputada estadual Solange Duailibe (PT), Rosilda Rodriges dos Santos esteve, na quarta-feira, 27, no Ministério Público Estadual (MPE), para prestar depoimento sobre as denúncias envolvendo o depósito de R$ 120 mil supostamente feito pela empreiteira Delta, ligada ao esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira. Rosilda afirmou ao promotor Adriano Neves, responsável pelo inquérito civil, ser proprietária da conta movimentada pelo irmão de Solange e ex-secretário de Meio Ambiente Pedro Duailibe, mas negou conhecimento do depósito feito pela empreiteira.
Ao CT, o promotor disse que Rosilda foi notificada para prestar depoimento na quinta-feira, 28, porém, apareceu espontaneamente no MPE, com seu advogado, na quarta. No depoimento, Rosilda disse que nunca compareceu à Assembleia Legislativa, onde era nomeada no gabinete de Solange, e que a deputada é sua amiga de infância, à época de Araguaçu, onde ela atualmente reside na área rural.
Segundo o promotor, Rosilda recebia em espécie e não tinha conhecimento sobre as movimentações que Pedro fazia na conta.
“Ela [Rosilda] não se interessava pelo que entrava e pelo que saída da sua conta, porque havia aberto para o Pedro Duailibe. No depoimento, ela disse que recebia em dinheiro e que nunca havia pisado os pés na Assembleia Legislativa. É uma pessoa simples, que sequer tinha noção do que estava acontecendo. Ela estava aparentemente bastante assustada”, disse.
O promotor deve ouvir Pedro Dualibe ainda na tarde desta terça-feira, 3. Caso não compareça espontaneamente ao MPE, será expedida nesta quarta-feira 4, uma notificação pedindo o seu comparecimento. Na semana que vem, serão ouvidos Solange Duailibe e o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT).
Ainda de acordo com Adriano Neves, a expectativa é que até agosto todos depoimentos já esteja concluíudos.
Entenda
O tesoureiro da empreiteira Delta na região Centro-Oeste determinou, em agosto passado, um depósito de R$ 120 mil na conta de uma assessora da primeira-dama de Palmas e deputada estadual, Solange Duailibe (PT), segundo indicam escutas da Polícia Federal. A informação é do jornal Folha de S.Paulo desta quarta-feira, 2.
Conforme a Folha, a Delta, no centro do suposto esquema de lavagem de dinheiro do empresário Carlinhos Cachoeira, é detentora de um contrato de R$ 71 milhões para os serviços de coleta de lixo na capital tocantinense, administrada por Raul Filho, do PT, desde 2005. O contrato é contestado por órgãos de controle.
De acortdo com o jornal, Rosilda Rodrigues dos Santos, 29, teve sua exoneração do cargo de assessora parlamentar da deputada estadual Solange Duailibe, publicada no dia 10, mas retroativa a 1º de março - dia seguinte à deflagração da Operação Monte Carlo, que desbaratou o esquema de Cachoeira.
Dez dias após o vazamento de conversas da Operação Monte Carlo, envolvendo a sua irmã, deputada estadual Solange Duailibe (PT), o secretário municipal de Governo de Palmas, Pedro Duailibe, e também secretário interino de Meio Ambiente e Serviços Públicos, assumiu em nota que era para ele o dinheiro do depósito de R$ 120 mil para Rosilda Rodrigues dos Santos, ex-assessora da parlamentar, que também é primeira-dama da Capital. Segundo o secretário, ele utiliza há quatro anos a conta de Rosilda.
Em sua nota, Duailibe afirma que os R$ 120 mil são resultado da venda de uma retro-escavadeira em 9 de agosto de 2011 não para a Delta, mas para a empresa Miranda & Silva Construções e Terraplanagem Ltda. Conforme o secretário, ele indicou a conta da ex-assessora da irmã devido a uma execução da qual pe avalista. "Restou temerário a movimentação de minha conta bancária pessoal para valores maiores", justificou Duailibe.
No "Fantástico"
O programa Fantástico, da Rede Globo, divulgou na edição de domingo, 1º, um vídeo gravado em 2004 que mostra o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), negociando a atuação do grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira em seu governo na Capital. O vídeo foi encontrado na casa do irmão de Cacheira durante as buscas de operação Monte Carlo, que culminou na prisão de Cachoeira.
Raul Filho foi eleito em 2004 e reeleito em 2008. Ainda sob investigação, a Prefeitura de Palmas tem um contrato, firmado em 2006, para coleta de lixo com a Delta. A empresa é a pivô do escândalo que envolve o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos, e já recebeu mais de R$ 70,9 milhões da Prefeitura de Palmas.
Durante coletiva de imprensa realizada nessa segunda-feira, 2, Raul negou as acusações e disse que seu encontro com Carlinhos Cachoeira foi “ético e moral”.
Foram quatro contratos com dispensa de licitação. O primeiro contrato foi com licitação e, com um aditivo, chegou a R$ 14 milhões (2006), depois começaram a dispensas de licitação: em 2007, de R$ 6,7 milhões; em 2008, de R$ 7 milhões; outro contrato em 2008, de R$ 8,1 milhões; e 2009 mais R$ 8,3 milhões.
Por fim, em 2009 a empresa venceu um nova licitação que soma um total de R$ 71,9 milhões, dos quais já recebeu R$ 26,8 milhões. Esse contrato é questionado pelo Ministério Público Estadual, que aponta irregularidades no processo de licitação.


