Enfim chegou o dia! A partir de 1º de setembro de 2010, nenhuma criança abaixo de sete anos e meio poderá transitar fora da cadeira salvadora. O que me deixa indignada é o fato de obrigarem as pessoas a comprar três tipos diferentes de assento, para transportar as crianças. Quem foi o mentor da lei e quem a aprovou, não pensou nas especificidades e exceções. Eu até elogio a preocupação de se evitar acidentes com crianças, porém eu acredito que a obrigatoriedade é absurda, pois há casos em que se tornará um erro a aplicação da multa.
Os microônibus, vans, ônibus, táxis, por exemplo, não são obrigados a carregar cadeirinhas, quer dizer que nestes transportes não há risco para as crianças? E os pais que tem mais de duas crianças com essa faixa etária vai fazer o quê? mães solteiras por exemplo que não tem nem onde morar, não tem carro, mas tem filhos, vão ficar impedidas de levá-los ao Posto de Saúde, á escola, ou até mesmo a um passeio no carro de um tio, avós, vizinho, pois os mesmos não poderão dar carona por medo da multa.
O que fazer? deixar de comer? pagar o aluguel para comprar três ou dois assentos? Haverá uma inversão: quem tem filho e não tem carro, tem que ter cadeira que transporta criança. Quem tem carro e não tem filhos, jamais poderá carregar crianças. Os avós que se cuidem; pobres netos!
Chego a imaginar se está medida vai salvar as crianças, ou os bolsos e as carteiras dos donos das fábricas e engordar os cofres do governo com as multas de trânsito, pois já passamos por leis obrigatórias que deram em nada, por exemplo, os kits de primeiros-socorros, os engates para o carro, etc.
Bom, é preciso que os governantes e o povo se unam para repensar esta nova lei, pois sabemos que é algo que vai prejudicar muita gente, especialmente os pobres que tem como única riqueza os filhos, e que agora terão que levá-los pelas mãos, a pé, pois carona não mais terão.
Já pagamos tantos impostos, temos ainda que, obrigatoriamente, trocar lacre de veículos, placas e agora comprar assentos para transportar crianças. É, não é fácil ser contribuinte no Brasil! Só posso afirmar uma coisa: temos que ter cuidado com mais essa nova lei que ao invés de salvadora de crianças, pode ser salvadora das carteiras dos donos das empresas fabricantes e também dos governantes.
Erenita Almeida é professora de Matemática