Patrícia Saturno
Da Redação
Os deputados estaduais peemedebistas Júnior Coimbra, Iderval Silva, Eli Borges e Sandoval Cardoso reagiram nesta quinta-feira, 7, a uma fala do deputado federal Moisés Avelino (PMDB), dita em entrevista ao CT nessa quarta-feira, 6. Na ocasião, Avelino se colocou à disposição do PMDB para uma possível aproximação com o governo do PSDB. Avelino, apesar de ser do PMDB, não apoiou a candidatura do partido – Carlos Gaguim - ao governo, e declarou apoio ao opositor, Siqueira Campos (PSDB).
Presidente da Assembleia Legislativa e recém-eleito deputado federal, Coimbra foi duro na declaração. “Nesse processo, eu acho que ele está desqualificado para falar em nome do PMDB, porque ele foi Siqueira assumido nas eleições. Se ele tem alguma autonomia, se ele tem alguma condição de falar, é em nome do grupo do Siqueira, agora do PMDB não”, disse.
O parlamentar deixou claro, inclusive, que não considera mais Avelino como sendo do mesmo partido político. “Ele não é peemedebista. Ele ajudou a derrotar o PMDB. Então nós não podemos aceitá-lo como interlocutor e o PMDB não está precisando de interlocutor para conversar com ninguém”, atacou.
Iderval Silva, por sua vez, disse que o posicionamento de Avelino “é muito errado”. “Eu acho que ele é um dos responsáveis pelo PMDB estar sem governo”, disparou. Segundo o deputado, a decisão de Avelino de apoiar Siqueira Campos tira dele qualquer condição de ser interlocutor. “Até porque ele fez o desfavor ao partido de entregar o governo para a oposição”, disse.
O deputado declarou ainda que “desautoriza” Moisés Avelino de ser seu interlocutor junto ao governo Siqueira e alegou que Avelino, “só se serviu do PMDB”. “Eu acho que ele tem que entender que ele traiu o PMDB. O PMDB está sem governo graças ao Moisés Avelino. Se somar a soma de votos que ele conseguiu tirar nossa, você vai ver que dá a diferença da eleição. Então hoje ele tem que se penitenciar pela derrota do PMDB. O PMDB não está satisfeito com ele”, declarou.
Outro que fez questão de dizer que Avelino “não tem autorização” para falar pelo partido foi Eli Borges. “Que isso fique bem claro. Até porque, eu sou um deputado que tem posições firmes. As minhas ações, eu tomo conta delas, não preciso de ajuda”. O deputado ainda mandou um recado. “O PMDB tem a maior bancada da Assembleia Legislativa e os deputados do PMDB estão unidos. De tal forma, que essa posição do Avelino seja uma iniciativa pessoal dele”, disse.
Sandoval Cardoso, por sua vez, afirmou que “o PMDB que é PMDB” não ficará do lado do PSDB. “Eu, como PMDB legítimo, sem dúvida nenhuma, da minha parte, ele não está autorizado a fazer interlocução nenhuma, não está autorizado a falar sobre o meu PMDB”.
Oposição
Júnior Coimbra também já adiantou qual deve ser o tipo de relação entre o PMDB e o governo de Siqueira Campos nos próximos anos. “O PMDB vai se manter firme na oposição ao governo. E que ele [Avelino] fique com o governo dele. Nós não precisamos dos préstimos dele para nada. Que ele fique com o governo dele. O PMDB é oposição e ele é governo. Ele não é peemedebista, ele é governo”, frisou.
A oposição, também é posicionamento claro na visão de Eli Borges. Segundo ele, o PMDB tem uma posição clara, definida e histórica no Estado e se manterá, segundo disse, “na luta histórica da resistência”. Ele ainda enfatizou que sempre fez parte dessa ala histórica do PMDB.
Sobre a possibilidade de aproximação do PMDB com o governo de Siqueira, Iderval Silva disse que esta pode até ocorrer, mas do ponto de vista administrativo, não político, “no sentido de trabalhar pelo povo do Tocantins”. “Desde que o governador tenha essa mesma intenção de fazer um bom trabalho para o Tocantins, poderá haver essa aproximação. Só não terá, se houver uma outra conduta”, disse Iderval.
Posicionamento semelhante tem Sandoval Cardoso. Ele apontou que administrativamente, o PMDB pode até trabalhar em conjunto com o governo de Siqueira, mas politicamente, são grupos diferentes.