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Warlen, servidor da Sespo: "Estão querendo desfocar para mim essa história"

28/04/09 17h18

Cleber Toledo
Da Redação

Depois de analisar a nota da Secretaria Estadual do Esporte (Sespo) desta terça-feira, 28, que informa a abertura de sindicância contra os servidores que entregaram material esportivo a um candidato a vereador na campanha eleitoral de 2008 - com imagens gravadas por celular -, o funcionário da pasta Warlen Honório dos Santos afirmou que a impressão que tem é que os verdadeiros envolvidos estão querendo comprometê-lo. "A impressão que tenho é que eles estão querendo desfocar para mim essa história", disse em entrevista exclusiva ao Portal CT, por telefone, de algum lugar do País onde se esconde desde que o caso veio à tona.

Foi o depoimento de Warlen ao Ministério Público Federal, no dia 2 de março, que deflagrou a denúncia de suposta distribuição de material esportivo da Sespo para aliados do governador Marcelo Miranda (PMDB) nas eleições municipais do ano passado, publicada no domingo, 26, pelo jornal Folha de S.Paulo e repercutida pelo Portal CT. Segundo o funcionário da Sespo, ele não fez a denúncia ao MPF, mas foi chamado a depor numa investigação que já vinha sendo feita contra a secretaria. "Na verdade não fui eu que fiz a denúncia. Já existia uma investigação em cima deles. Eu fui chamado e falei o que eles me perguntaram", contou Warlen.

Ele disse que foi o único servidor que apareceu no vídeo, feito por celular, do carro do candidato a vereador de Goiatins Edilson Fernandes Costa (DEM) sendo carregado com bolas e outros materiais esportivos. Por essa razão, raciocionou, a sindicância aberta pelo secretário Palmeri Bezerra teria endereço certo: o próprio Warlen.

Porém, o servidor garantiu que o carro do vereador Edilson foi carregado de material esportivo com ordem expressas do secretário Palmeri. "Ele deu autorização por escrito."

Mais que isso: Warlen assegurou que nenhum material saía da secretaria sem ordem exptressa de Palmeri. "Acho que jamais aconteceu isso. Até porque a gente tem por princípio obedecer a hierarquia", afirmou. Ele também disse acreditar que nenhum político de oposição recebeu material esportivo.

Poeira abaixar
A entrevista por telefone com Warlen foi gravada pelo Portal CT. Nela, ele contou que continua funcionário da Secretaria Estadual do Esporte e que deixou de ir à pasta a pedido do próprio Palmeri. "As palavras que ele utilizou foram para eu deixar a poeira abaixar e ver o que está acontecendo, até porque ele sabia com antecedência que esse material seria publicado na mídia", contou o servidor. "Continuo nomeado. Até agora eles não falaram nada comigo. Tudo o que estou sabendo é através da mídia. É no site da Folha e no Clebertoledo.com.br"

Warlen disse que não sabe o motivo de ainda não ter sido demitido. "Estou esperando até agora uma posição deles", afirmou.

O servidor revelou que continua mantendo contato com os colegas da secretaria por MSN. Segundo eles têm lhe informado, o clima na Sespo hoje "está bem pesado". "Eles me falam que o secretário está fechado no gabinete, está passando o tempo todo pensando o que vai fazer a respeito dessa situação", contou. Warlen também desabafou: "Eu me sinto totalmente ameaçado".

Confira a seguir a íntegra da conversa do servidor da Sespo com o Portal CT:

Portal CT - Qual era a tua função na Secretaria Estadual do Esporte?
Warlen Honório dos Santos -
Distribuição de material esportivo.

Por que você decidiu fazer a denúncia ao Ministério Público Federal?
Warlen - Na verdade não fui eu que fiz a denúncia. Já existia uma investigação em cima deles. Eu fui chamado e falei o que eles me perguntaram.

O Ministério Público Federal, então, já vinha investigando a Secretaria Estadual do Esporte? É isso que você está falando?
Warlen -
Isso.

O secretário Palmeri Bezerra afirmou ter determinado que não se usasse a estrutura da secretaria para campanha eleitoral. Como foi feito isso, por reuniões, ofício, circular?
Warlen - Bem, não tenho nenhuma informação sobre isso.

Você não tem nenhuma notícia sobre reunião, circular ou ofício em que o secretário pediu para não se usar a estrutura da secretaria para campanha eleitoral?
Warlen - Bom, existiam orientações, sim, para a gente não se expor na campanha nem usar a máquina. Mas não era nada oficial.

Mas essa orientação foi dada de que forma para vocês?
Warlen -
Em reuniões de setor eram passadas essas recomendações, mas a gente tem uma hierarquia lá dentro e a gente obedece ordem de cima.

Como ocorria a liberação de material esportivo e como era feita a entrega?
Warlen -
Era despachado junto com o secretário, pela pessoa que estava precisando do material, o solicitante. O secretário dava uma autorização por escrito. A pessoa que recebia o material vinha à minha sala e pedia para mim. Eu era orientado a apenas obedecer àquela ordem, quando chegava, eu despachava.

Agora tinha que ser com requisição em mãos. É isso?
Warlen - Só. Eu não tinha nenhum poder para dar nada para ninguém, nem para deixar de dar. Eu era orientado para atender as requisições do secretário.

Vocês carregaram outros veículos com logomarca de candidato na eleição de 2008, ou só aquele que apareceu no vídeo que foi feito por celular?
Warlen - Não, não me lembro bem. Era um fluxo muito grande, eu nem me lembrava que tinha um carro [com logomarca de candidato] e que eu tinha feito esse serviço.

Toda entrega de material esportivo era feita com autorização expressa do secretário Palmeri, seja por telefone ou por escrito?
Warlen - Todas. Sem exceção.

Todas eram determinadas por ele?
Warlen - Todas.

Você sabe se foi entregue algum material esportivo para algum político de oposição ao governo do Estado nesse período eleitoral?
Warlen - Eu não me lembro bem, porque era um fluxo muito grande de saída de material, mas eu acredito que não.

O secretário Palmeri distribuiu uma nota à imprensa nesta terça-feira na qual diz que foi aberta uma sindicância contra os servidores que estavam carregando o veículo do vereador Edilson. Como você avalia essa medida dele?
Warlen - Eu vejo de duas formas. Uma, eu fico feliz porque ele está apurando um fato que hoje a gente está vendo que é errado e o maior interessado em saber quem está errado e quem está certo somos nós servidores. Até porque se há alguém fazendo alguma coisa de errado, precisa ser descoberto logo. É de interesse nosso. Mas, por outro lado, eu fico triste porque até agora ninguém entrou em contato comigo. E eu acho que deveria ser o primeiro a ter sido contactado para falar sobre isso. Ele coloca uma nota e a impressão que dá é que eu tenho culpa de alguma coisa, e, pelo que está na imprensa, todo mundo está vendo os documentos assinados por ele [Palmeri], ele que autorizou, uma ordem direta, a entregar esses materiais.

Esse carro do candidato Edilson foi carregado de material esportivo sem autorização do secretário Palmeri ou foi o secretário que determinou?
Warlen - Ele deu autorização por escrito.

Ou seja, não foi um ato isolado dos servidores, que não tem responsabilidade sobre essa iniciativa de entregar esse material, é isso?
Warlen - Nenhuma.

Para reforçar, quem é o responsável direto, que determinou a entrega desse material ao vereador Edilson?
Warlen -
Como eu te falei, ele [Palmeri] dava ordem direta, via requisição. Dava uma requisição autorizando a gente entregar aquele material para o candidato. Aí o candidato parava o carro ali e a gente colocava o material no carro dele. Às vezes era um material um pouco maior, aí a gente ajudava.

Os servidores que depuseram, denunciaram e gravaram esse vídeo estão sofrendo algum tipo de ameaça, pressão de alguma forma neste momento?
Warlen - Eu particularmente não sei quem fez o vídeo, mas eu me sinto totalmente ameaçado. Inclusive, eu não estou mais nem no Tocantins, saí daí. A princípio, a pedido do próprio Palmeri...

O secretário pediu para você sair do Estado?
Warlen -
Não do Estado, mas da secretaria...

Por quê?
Warlen - As palavras que ele utilizou foram para eu deixar a poeira abaixar e ver o que está acontecendo, até porque ele sabia com antecedência que esse material seria publicado na mídia.

E qual a sua situação hoje em relação à secretaria? Você foi demitido?
Warlen -
Não. Eu sou assessor do secretário, assessor especial...

E continua nomeado?
Warlen - Continuo nomeado. Como te falei, até agora eles não falaram nada comigo. Tudo o que estou sabendo é através da mídia. É no site da Folha e no Clebertoledo.com.br.

E por que você acha que não foi demitido?
Warlen - Eu não sei. Estou esperando até agora uma posição deles.

Mas eles têm telefone de contato seu?
Warlen - Têm telefone, têm e-mail.

Você chegou a conversar com o secretário sobre o seu depoimento, o que você disse ao Ministério Público Federal?
Warlen -
Tudo.

E qual foi a reação dele?
Warlen - Ele falou que estava tranquilo porque não tinha feito nada errado. Eu também falei que eu estava tranquilo, que estava preocupado com o meu nome envolvido nisso tudo. Então eu falei que o que eu puder colaborar com a Justiça, com a Secretaria de Esporte e com o governo do Estado, o que for preciso para resolver essa situação.

Teu depoimento foi fundamental para que essa denúncia viesse à tona e para o trabalho do Ministério Público Federal e Estadual. O que o motivou a falar o que falou?
Warlen - A única coisa que me deixa tranquilo nisso tudo é que eu não fiz nada de errado, tenho certeza disso. Sempre admirei o trabalho correto, limpo. Também não acreditava que estava fazendo uma coisa assim de errado. Só falei os fatos que estavam acontecendo e se supostamente fosse uma coisa errada, para mim, era interessante que fosse apurado. Não quero nunca me envolver com nada. A única coisa que eu ganho na secretaria é o meu salário. Então, acho que não devo arriscar minha vida por nada, nem por ninguém. Tudo que eu faço é motivado para que a verdade venha à tona, que venha aparecer o que é certo, quem está fazendo as coisas erradas, porque tenho a convicção de que eu não fiz nada de errado, nem colaborei, e se colaborei de alguma forma preciso saber.

Você está em contato com seus colegas da secretaria, eles estão te informando o clima lá, ou nem com os colegas da secretaria você está tendo contato?
Warlen - Tenho contato, sim, via MSN.

E eles falam se estão recebendo alguma pressão ou ameaça? Qual é o clima lá?
Warlen -
O clima está bem pesado lá. Eles me falam que o secretário está fechado no gabinete, está passando o tempo todo pensando o que vai fazer a respeito dessa situação.

Conhecendo toda essa história como você conhece, você acha que é possível que algum servidor, responsável pela distribuição de material, possa ter cometido alguma espécie de crime? Alguém entregou material sem a autorização direta do Palmeri?
Warlen - Não. Acho que jamais aconteceu isso. Até porque a gente tem por princípio obedecer a hierarquia. Estou na Secretaria do Esporte há quase oito anos e se você pedir meu dossiê lá vai ver que nunca tive problema com a hierarquia, nunca desobedeci ordens, não tem nenhum processo administrativo contra a minha pessoa. Meu trabalho sempre esteve em dia. Reitero tudo que eu disse ao Ministério Público e estou à disposição de qualquer tipo de investigação. Abro minhas contas, minha vida inteira se for preciso para resolver isso. Sobre a nota do secretário, eu sou o único servidor que aparece no vídeo. A impressão que tenho é que eles estão querendo desfocar para mim essa história.

Então você acha que já tem endereço certo a sindicância?
Warlen - Justamente.

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