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Suposta "farra" com dinheiro público é o 4º escândalo envolvendo o Palácio em menos de 2 meses

17/06/09 10h06

Cleber Toledo
Da Redação

A suposta "farra" com dinheiro público divulgada nesta quarta-feira, 17, pelo CT, é o quarto escândalo em que se envolve o governo do Tocantins em menos de dois meses. O primeiro surgiu no dia 26 de abril, quando o jornal Folha de S.Paulo publicou a denúncia do servidor Warlen Honório dos Santos de que material da Secretaria Estadual de Esporte (Sespo) teria sido usado para beneficiar candidatos aliados do governador Marcelo Miranda (PMDB) nas eleições municipais do ano passado.

O jornal revelou que teve acesso a documentos que comprovariam que parte do material foi entregue na residência oficial do governador, e, também, para deputados estaduais e federais e candidatos a prefeito e a vereador aliados do Palácio Araguaia.

Vinte dias depois, no dia 16 de maio, a revista Veja e os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo divulgaram reportagens com base na denúncia feita por Ângela Costa Alves, ex-chefe de gabinete da primeira-dama do Estado, Dulce Miranda. Ela entregou à Polícia Federal documentos que indicariam existência de esquema de superfaturamento de shows, uso de verba pública para compra de roupas de grife, joias, flores e até chocolates em lojas finas (que beneficiariam a própria primeira-dada e o governador Marcelo Miranda).

Além disso, entregou relatório e recibos que indicariam distribuição de dinheiro a eleitores durante o programa Governo Mais Perto de Você, às vésperas do período eleitoral de 2006, ano em que Miranda foi reeleito governador.

No dia 26 de maio, a Polícia Federal deflagrou a Operação Covil, que apura indícios de fraude em licitação e desvio de verba federal através de obras da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Estado. Dois engenheiros da Funasa foram presos na operação. A PF chegou a ocupar a Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra) e o Departamento de Estradas de Rodagem (Dertins). Três servidores da Seinfra estariam envolvidos e as investigações continuam.

Agora, nessa quarta-feira, 17, o CT divulgou que documentos do Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Siafem) que estão com a Polícia Federal reforçam as denúncias feitas pela ex-assessora Ângela Costa Alves de que o governo do Tocantins utilizou recursos do fundo de suprimentos do Palácio Araguaia para compras particulares e em benefício de familiares do governador Marcelo Miranda e da primeira-dama Dulce Miranda.

Os documentos foram entregues por um também ex-servidor do Palácio Araguaia, Valdeilton Santos Nascimento, quando intimado pela Polícia Federal a depor, no dia 5 de junho. Ele deixou com a PF relatórios do Siafem que mostram pagamentos de R$ 1.655.191,30, entre roupas finas, floricultura, oficina de familiares da primeira-dama, viagens de servidores privilegiados e até na reforma da chácara do governador para a comemoração do aniversário de um de seus filhos, no ano passado.

Os três ex-servidores denunciantes tiveram que deixar Palmas sob ameaças - Warlen Honório do Santos, Ângela Costa Alves e Valdeilton Santos Nascimento.

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