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Aliança com o DEM "mata" UT e grupo de Siqueira passa a se chamar “Tocantins Levado a Sério”

29/06/10 09h08

Foto: Melck Aquino/Arquivo CT

Líderes da nova coligação "Tocantins Levado a Sério"


Cleber Toledo

Da Redação

O rompimento em 2005 não conseguiu eliminá-lo, mas a aliança com o DEM foi fatal. Pela primeira vez o nome "União do Tocantins" não estará numa campanha eleitoral do Estado. A Assessoria de Imprensa do grupo informou na noite desta segunda-feira, 28, que a coligação composta por PSDB, DEM, PR, PV, PSC, PRTB, PTN, PMN, PTC, PTdoB, PRB e PTB não se chamará União do Tocantins, mas “Tocantins Levado a Sério”. O grupo, encabeçado pelo ex-governador Siqueira Campos (PSDB), que tentará seu quarto mandato à frente do Executivo Estadual, fará sua convenção nessa quarta-feira, 30, a partir das 14 horas, no Espaço Cultural, em Palmas.

Segundo a assessoria da nova coligação, o pré-candidato do PSDB comemorou a iniciativa e afirmou que a escolha do novo nome "será feita democraticamente". “Nós vamos apresentar a sugestão durante a convenção e a maioria que vai decidir se adotamos ou não o novo nome”, disse, conforme a sua assessoria. “Esse nome reflete o anseio da população, que quer rever nosso Estado sendo administrado com seriedade e as pessoas bem cuidadas”, completou o pré-candidato tucano.

Ainda de acordo com a assessoria, o senador João Ribeiro (PR) ressaltou que a sugestão de nome simboliza "os novos rumos da política tocantinense". “Vivemos um momento único. Mesmo antigos adversários políticos se uniram em torno de um novo projeto para o Tocantins. Esse novo nome pode vir a coroar esta coalizão em torno de Siqueira Campos”, disse.

A senadora Kátia Abreu também reforçou que o novo nome é uma reação "à falta de compromisso com que o Estado vem sendo administrado". “Precisamos reagir à corrupção que tomou conta do Tocantins. Vivemos em um dos Estados mais ricos do Brasil em termos de recursos naturais, mas precisamos evoluir, com responsabilidade, com seriedade”, completou.

Histórico
A União do Tocantins, coligação formada pelo grupo de partidos que sempre deram sustentação política ao ex-governador Siqueira Campos, surgiu logo na primeria campanha ao governo do Tocantins, em 1988. Liderada inicialmente pelo PDC (partido pelo qual Siqueira se elegeu pela primeira vez), a UT foi agregando novas legendas ao longo do tempo. Chegaram ao grupo PFL (hoje DEM), PP, PTB, PV, PL (hoje PR), PTdoB, PAN, PSC, PSDB, entre outros.

Depois de manter total hegemonia no Estado por mais de dez anos, a União do Tocantins começou a ruir em 2005, quando houve seu primeiro grande rompimento. O então governador Marcelo Miranda deixou o PSDB para se filiar ao PMDB, pelo qual foi reeleito governador em 2006.

Entre os partidos de expressão da UT, apesar da saída do então governador, apenas uma legenda expressiva deixou o grupo de Siqueira, o PFL, hoje DEM. A então deputada federal Kátia Abreu conseguiu fazer com que a direção nacional da legenda fizesse uma intervenção no Tocantins, tirando da presidência do PFL o senador João Ribeiro, que migrou, após esse episódio, para o PL.

No mesmo período, a UT ganhou um adversário histórico de Siqueira Campos. O PSB, presidido na época pelo ex-vereador de Palmas Tenente Célio, não se entendeu com o governo Marcelo Miranda e surpreendeu o Estado ao declarar apoio a seu maior adversário. Após a eleição de 2006, o diretório nacional do PSB tirou o partido de Célio e colocou à sua frente um marcelista, o recém-eleito deputado federal Laurez Moreira.

Kátia apresentada como a candidata a senadora da Aliança da Vitória em 2006
Morte da UT
Com a derrota da União do Tocantins em 2006, sua morte chegou a ser anunciada nos quatro cantos do Estado pelos líderes marcelistas. Além da derrota de Siqueira, o grupo vinha sendo reduzido pelas ações do governo Marcelo Miranda, que levava para o seu lado importantes utistas, como o então deputado estadual Fabion Gomes (hoje prefeito do PR em Tocantinópolis), e pelo fato de o PR, do senador João Ribeiro, ter se declarado "independente", ou seja, não era governo nem UT.

Contudo, nas campanhas municipais de 2008, a UT ainda existia e venceu algumas das principais cidades. Porém, não com a força do passado, mas sob a liderança do PR de João Ribeiro. E teve que dividir os louros da vitória sobre o governo com um adversário histórico, o PT, vencedor de eleições nos principais municípios do Tocantins, como Palmas, Guaraí, Colinas e Dianópolis.

Dando sinais
A extinção do histórico nome "União do Tocantins" já vinha sendo sinalizada, principalmente, pelo novo aliado de Siqueira Campos, o DEM. Discretamente, entre uma entrevista e outra, os democratas, sob a forte liderança de uma ex-utista, a senadora Kátia Abreu, deixavam transparecer que se sentiam incomodado com o nome "União do Tocantins".

Lançada na vida pública por Siqueira Campos, Kátia conseguiu ganhar vida própria na política, principalmente depois do rompimento da UT em 2005, quando se tornou a personalidade mais forte do novo grupo, chamado Aliança da Vitória, mesmo que os governistas tenham sido encabeçados pelo PMDB. Assim, era evidente que a senadora, hoje uma líder política de projeção nacional, não aceitaria que sua aliança com Siqueira pudesse ser vista como um retorno seu à União do Tocantins. (Com informações da Assessoria de Imprensa da coligação “Tocantins Levado a Sério”)

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