03/05/11 08h44 03/05/11 08h44

Curral Eclesial, você faz parte?

Edmilson Júnior
É advogado
edsousa28@hotmail.com


Passadas as tensões próprias do período eleitoral entendi por bem refletir sobre o processo. De tal forma que me sinto completamente à vontade para “tergiversar” sobre o tema sem exercer influências ou mesmo ser alçado, PELOS MILITANTES APAIXONADOS, a condição de ATIVISTA partidário em busca de auferir vantagens para sua corrente ideológica.

Confesso que por diversas vezes meu espírito inquieto submergiu ante a prudência, haja vista, que o já calejado articulista, é perseguido pelas controvérsias conceituais e por uma insaciável vontade de compreender o fenômeno existencial. Só tomei a decisão após um curioso acontecimento na ante-sala do gabinete de um cliente chefe do Poder Executivo de uma média cidade a qual eu presto consultoria. Repousando sobre uma escrivaninha não pude deixar de ver em letras “GRAÚDAS” um jornaleco por nome JORNAL EVANGÉLICO. Não resisti, agarrei o pasquim e me deleitei com as notícias veiculadas. Coisas do tipo: DILMA E O ANTICRISTO; MICHEL TEMER O SATANISTA; PORQUE O PASTOR SILAS APÓIA O SERRA. Essas são apenas as chamadas da PRIMEIRA PÁGINA, imagine a segunda, a terceira, a quarta...

Depois de alguns anos trabalhando com direito eleitoral, após acompanhar profissionalmente campanhas majoritárias e proporcionais, pude entender um pouquinho do mitiê do poder e os indispensáveis acordos de bastidores que norteiam toda eleição. Todo pleito é uma guerra de estratégias, de dinheiro, de promessas e de marqueteiros que se especializaram em suavizar os estigmas que a maioria dos candidatos carrega. Entretanto, tem coisas que não mudam. Desde a cartilha o PRINCIPE, de Maquiavel, estabeleceu-se a pecha de que a transmissão da informação é fator decisivo para quem tem ou almeja o PODER. Até aí menos mal! Que jornais se vendam! Que empresas de rádio televisão fechem com determinado candidato! Que revistas semanais apóiem um grupo político! Tudo isso é detestável mas ainda consigo entender as circunstancias pelo fato da ausência da ética cristã nessas relações.

Pasmem leitores deste artigo, tive a curiosidade de verificar a tiragem do malfadado jornal e a abrangência de circulação, e, para minha surpresa, milhares de exemplares e circulação nacional. Como já vi nas minhas andanças profissionais por diversas vezes veículos de imprensa serem patrocinados a fim de satisfazer determinados interesses, pensei: QUEM PAGOU A CONTA? QUEM RECEBEU? QUE FALSO PROFETA NEGOCIOU A MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO? Na verdade essa não é uma pergunta muito difícil de responder.

O crescimento vertiginoso do evangelicalismo no Brasil tem atraído os olhares dos chamados políticos de carteirinha, haja vista, que esse segmento representa uma fatia considerável do eleitorado. Desta feita, os “mercadores da fé” têm um produto cada vez mais valorizado, o “curral eclesial”. Pior do que o coronelismo nordestino e o voto de cabresto onde a pressão era escancarada para eleger o candidato do “padim”, o coronel eclesial ameaça espiritualmente, coisas sutis como afirmações: “Se você votar no candidato fulano estará negando a bíblia;” “Temos que votar em cicrano porque ele é crente.” Quando não apelam para o fundamentalismo religioso: “O candidato de Deus contra o candidato de Satanás;”

Os coronéis eclesiais são motivados pelos mais variados interesses, ou você acha que o bispo Edir Macedo conseguiu se transformar em um dos homens mais poderosos desse país a toa? Porque a primeira entrevista da candidata eleita foi na Rede Record? Você acha que o Missionário Soares conseguiu uma concessão de canal de Televisão somente por seus lindos olhos azuis que decoram bem a telinha? Ah! Tem o Malafaia também querendo entrar no time, reivindicando o seu lugar.

TUDO É NEGOCIADO! OS CURRAIS SÃO VENDIDOS DE PORTEIRA FECHADA.

Espantei-me com a falta de nível nas discussões dessas eleições. As amenidades eram mais debatidas do que temas que realmente importam a vida do cidadão. E olha que me esforcei! Li, ouvi, assisti e nada. Por último resolvi participar de fóruns cristãos na internet. Meu DEUS! A decepção foi maior ainda! Cada coisa que assusta! Coisas do tipo: TODA AUTORIDADE É CONSTITUÍDA POR DEUS E NÃO DEVEMOS QUESTIONAR (ainda bem que esse forista não viveu em Israel na ocasião do ministério do profeta Jeremias senão ia taxá-lo de ímpio).

A conclusão inegável é que esse mercado só existe por nossa culpa, uma vez que acreditamos e nos deixamos levar por uma rede de informações elaboradas artificialmente com o fito de abocanhar a fatia do bolo evangélico e enriquecer os falsos profetas. Saiba, querido leitor, que o líder comprometido com a ética cristã não apóia candidato em púlpito, ele pode até ter suas preferências pessoais, mas a sua responsabilidade é promover no indivíduo a capacidade de por si só elaborar o seu voto consciente.

Leiam a Bíblia e vejam o verdadeiro papel do líder.

Vamos despertar!
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