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Ameaçado de morte, ex-servidor que denunciou o esquema deixa Palmas

16/06/09 18h56

Cleber Toledo
Da Redação

O ex-servidor do Palácio Araguaia, Valdeilton Santos Nascimento, deixou Palmas semana passada depois de receber ameaça de morte. Segundo fonte ligada ao ex-servidor, o recado a ele foi claro: ou Valdeilton vai à Polícia Federal e retira tudo o que disse, ou vai morrer. Assim, o ex-servidor deixou a Capital, como também já fizeram dois outros ex-funcionários que denunciaram esquemas no governo do Tocantins: Warlen Honório dos Santos, encarregado da distribuição de material na Secretaria Estadual do Esporte (Sespo); e Ângela Costa Alves, ex-chefe de gabinete da primeira-dama Dulce Miranda.

Todo o pesadelo da Valeilton começou quando, segundo ele, cansado de sofrer pressão do funcionário responsável pela Gerência de Compras do Gabinete do Governador, José Francisco dos Santos, começou a perceber que esse servidor, conhecido como Zezinho das Compras, agia "de forma estranha e certamente com interesses sujos para receber vantagens de comerciantes e fornecedores". Segundo o ex-servidor, Zezinho lhe pedia "ora para adiantar processos, ora para retardar a montagem de processos". "Processos esses necessários ao recebimento por parte dos fornecedores do Gabinete", relatou Valdeilton em documento entregue à Polícia Federal.

O ex-servidor conta que o que aumentou as suas suspeitas "foi a constante presença de fornecedores, que desesperados", vinham à sua procura, reclamando da demora nos seus pagamentos. "Enquanto outros, com maior agilidade, recebiam sem nenhum ordenamento, por materiais que, suspeito, jamais foram entregues no Palácio", afirmou.

A partir de então, juntamente com um fornecedor extorquido, que declarou que só receberia o seu pagamento se desse dinheiro para Zezinho das Compras, Valdeilton e esse empresário decidiram instalar equipamento que permitissem gravar e documentar a extorsão, a fim de entregar nas mãos do secretário-chefe Luiz Antônio da Rocha, tio do governador Marcelo Miranda (PMDB).

De posse da filmagem, Valdeilton contou ter procurado Luiz Antônio "para que pudesse fazê-lo assistir à cena gravada no vídeo e pedir a adoção das medidas cabíveis". Segundo o ex-servidor, o secretário assistiu ao vídeo em seu gabinete, no interior do Palácio Araguaia. "Para a minha surpresa, ao invés de me agradecer, o mesmo [Luiz Antônio] se transformou, ficou vermelho, pediu calma, silêncio, recomendou que eu jamais comentasse com ninguém e que isso era perigoso, que ele saberia o que fazer, que eu deixasse o vídeo com ele e me perguntou quantas cópias haviam, e se eu poderia recolher as mesmas", contou Valdeilton.

O ex-servidor disse ter percebido que Luiz Antônio "ficou muito contrariado". "Não com o ladrão, mas comigo", afirmou o denunciante.

Perseguições
Valdeilton contou no relatório que, a partir de então, passou a sofrer "as maiores perseguições no ambiente do trabalho, por um grupo de funcionários ligados ao secretário e também pelo cidadão denominado Zezinho das Compras". "As ameaças começaram a ocorrer também na minha casa, onde a minha esposa recebia telefonemas de pessoa que se identificava como tenente Benevides, o mesmo que me ameaçou de morte dentro de sua sala, no Serviço de Inteligência, onde fui convidado a depor", disse o ex-servidor.

Ele afirmou que todas as vezes em que saia de um destes supostos depoimentos, imediatamente alguns colegas já sabiam do teor de suas palavras e o xingavam e prometiam vingança.

Valdeilton contou que, diante do que estava acontecendo, seria prudente se resguardar e começar a tirar cópias e ter em seu poder os processos "que originavam a corrupção e as irregularidades que estavam sendo cometidas e que eu era obrigado a fazer nas montagens de processos".

O ex-servidor contou que, em novembro, um mês após a entrega do vídeo ao secretário Luiz Antônio da Rocha, foi por ele mandado ficar em casa e aguardar os acontecimentos. Em janeiro, Valdeilton foi exonerado. "As pressões aumentavam a cada dia e a perseguição amedrontava e arrasava a minha família", afirmou.

Em seu depoimento à Polícia Federal, Valdeilton contou que foi procurado, no dia 25 de maio, pelo chefe de gabinete da primeira-dama Dulce Miranda, Samuel Antônio Bastos Chiesa. Segundo o ex-servidor, Samuel teria lhe prometido o emprego de volta se fosse a público dizer que as afirmações da ex-assessora Ângela Costa Alves eram falsas. As denúncias de Ângela foram publicadas pela revista Veja no dia 16 de maio.

A Polícia Federal insistiu com Valdeilton, em todo o depoimento, se haveria recursos federais envolvidos. O ex-servidor respondeu que o secretário Luiz Antônio "nunca gostou de utilizar recursos de origem federal, em razão das dificuldades que teria durante a prestação de contas".

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