Da Redação
Em sua edição desta segunda-feira, 9, o jornal Folha de S.Paulo publica reportagem sobre a investigação realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) acerca do suposto desvio de R$ 768 milhões em um único contrato na administração Marcelo Miranda (PMDB).
A jornalista Luiza Bandeira, da Agência Folha, aponta que a investigação do TCE é quanto a possíveis irregularidades num contrato do governo com três construtoras, cujo valor atual supera R$ 1 bilhão. “O acordo previa a construção de pontes, pavimentação e terraplanagem. Segundo o TCE, não se sabe o destino de R$ 768 milhões”, destaca a jornalista.
A matéria aponta também que o TCE suspeita de aditivos e apostilamentos feitos supostamente no início da gestão Marcelo. Também aponta que há suspeita de irregularidades em subcontratações e de pagamento em duplicidade de R$ 46 milhões.
“Segundo o requerimento, há indícios de que, com as mudanças, o contrato tenha chegado a R$ 1,5 bilhão. O governo apresentou notas referentes ao pagamento de R$ 814 milhões”, publicou o jornal.
Confira a íntegra da matéria:
TCE investiga contrato suspeito de R$ 1 bi
Tribunal de Contas do Tocantins não sabe destino de R$ 768 mi para construção de pontes e pavimentação
LUIZA BANDEIRA
DA AGÊNCIA FOLHA
O Tribunal de Contas do Tocantins investiga possíveis irregularidades em um contrato do governo do Estado com três construtoras cujo valor atual supera R$ 1 bilhão. O acordo previa a construção de pontes, pavimentação e terraplanagem. Segundo o TCE, não se sabe o destino de R$ 768 milhões.
O tribunal suspeita de aditivos e apostilamentos (reajuste de preços) feitos a partir de 2003, início da gestão Marcelo Miranda (PMDB). Segundo o parecer, há suspeita ainda de irregularidades em subcontratações e de pagamento em duplicidade de R$ 46 milhões.
Miranda teve o mandato cassado pelo TSE em setembro por abuso de poder político.
O TCE determinou inspeção no Departamento de Estradas de Rodagem, na Secretaria de Infraestrutura e em outros órgãos para apurar quais serviços foram realizados e se houve superfaturamento. A inspeção ainda investiga se houve dano aos cofres públicos. O tribunal proibiu novos aditivos ou apostilamentos no contrato.
Segundo o requerimento, há indícios de que, com as mudanças, o contrato tenha chegado a R$ 1,5 bilhão. O governo apresentou notas referentes ao pagamento de R$ 814 milhões.
Consórcio
Segundo o parecer, não se sabe se os outros R$ 768 milhões foram pagos às construtoras ou mesmo se chegaram a ser empenhados (reserva para pagamento) pelo governo.
Firmado em 1998, o acordo foi assinado com consórcio formado pelas Construsan Construtora e Incorporado Ltda., Empresa Sul Americana de Montagens S/A e Rivoli SPA.
Alexandre de Barros, dono da Construsan (hoje ALB), afirma que sua empresa não participou das obras. As outras construtoras não responderam à reportagem até a conclusão desta edição.
O ex-governador Marcelo Miranda foi procurado por meio de ex-assessores e do diretório estadual do partido, mas não foi localizado.
O governo do Tocantins - agora administrado por Carlos Gaguim (PMDB), que apoiou a gestão de Miranda - disse, em nota, que "é do seu interesse que os procedimentos sejam esclarecidos".