Cleber Toledo
Da Redação
O diretor de Administração do Gabinete do Governador, Antônio da Silva Almeida, pediu demissão do cargo na quinta-feira, 18. Sua exoneração foi publicada no Diário Oficial de sexta-feira, 19. Almeida é o único envolvido nas denúncias contra o Gabinete do Governador que foi demitido até o agora. Ele é cunhado da primeira-dama do Estado, Dulce Miranda, e marido da coordenadora de Patrimônio do Gabinete do Governador, Vanderlúcia Pagani, irmã de Dulce.
O CT divulgou na terça-feira, 16, que Almeida é suspeito de ter colocado como "laranjas" o sobrinho Raphael Silva Almeida Rocha, e a irmã, Janaína Silva Almeida [que não é filha do diretor, como divulgou o portal semana passada e foi agora corrigido por um servidor do Palácio Araguaia em nova carta-deúncia, que está sendo analisada pela equipe do CT]. Os dois aparecem como proprietários da Auto Mecânica JR Ltda., que tem como nome fantasia Esperança Auto-Center. A empresa faturou, só do Gabinete do Governador, em apenas sete meses - entre abril e novembro do ano passado - R$ 92.000,54.
Em seu depoimento à PF, o ex-servidor Valdeilton Santos Nascimento afirmou que a Esperança Auto Center nasceu a partir de um financiamento de R$ 500 mil obtido junto ao Prodivino. Pelo contrato social obtido pelo CT com a Junta Comercial do Estado (Jucetins), a empresa está em nome de Janaína Silva Almeida e Raphael Silva Almeida Rocha. Cada um dos sócios tem 50% da empresa e investiu R$ 50 mil, formando um capital social de R$ 100 mil.
Contudo, o CT também descobriu procurações que garantem todo poder de administração a Antonio da Silva Almeida.
Também de acordo com Valdeilton, Vanderlúcia Pagani, irmã de Dulce e coordenadora de Patrimônio do Gabinete do Governador, recebe sem ir ao Palácio Araguaia, como uma dos funcionários "externos" do gabinete do governador Marcelo Miranda.
No relatório entregue à Polícia Federal, Valdeilton afirmou ter recebido "várias ordens" de Almeida para "inventar serviços" e montar processos em prol da Esperança Auto-Center. Segundo ele, o cunhado da primeira-dama afirmava que "precisava faturar na sua oficina".
R$ 15 mil em papel higiênico
Valdeilton contou no relatório que está com a PF que vários bens, como computadores, mesas e até R$ 15 mil em papel higiênico, foram adquiridos da empresa Limpel Representações e Distribuidora, transportado por veículo do Estado e entregue na empresa Esperança Auto-Center. "Tudo a mando do cunhado da primeira-dama, e pago pelo Gabinete do Governador", garantiu o ex-servidor.
Segundo ele, somente entre março e novembro de 2008, a Limpel vendeu R$ 80.539,81 ao gabinete do governador, em processos sempre fragmentados para evitar licitação.
Atualizada às 10h14