Cleber Toledo
Da Redação
Servidores acusados de envolvimento com os supostos desvios de recursos públicos estariam desfrutando de privilégios no gabinete do governador Marcelo Miranda (PMDB). A acusação é do ex-servidor Valdeilton Santos Nascimento, em seu depoimento à Polícia Federal.
Um deles seria o servidor José Francisco do Santos, o Zezinho das Compras, flagrado estorquindo R$ 3,5 mil de fornecedor por câmeras colocadas dentro de um carro por Valdeilton. Segundo relatório que o ex-servidor entregou à Polícia Federal, Zezinho das Compras teve sua casa reformada e ampliada com recursos públicos e recebeu R$ 8.805,50 de diárias, conforme Valdeilton disse à PF, sem nunca ter viajado para fora de Palmas a trabalho.
Essas diárias foram pagas mensalmente entre maio e novembro do ano passado, conforme relatório do Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Siafem) entregue à PF. Em maio do ano passado ele recebeu R$ 1.020,50 e nos outros meses, R$ 1.177,50.
Assessor de Dulce
Outro servidor que estaria se benefiando do esquema, conforme depoimento de Valdeilton à PF, é o chefe de gabinete da primeira-dama Dulce Miranda, Samuel Antônio Bastos Chiesa, que também assinou várias requisições de compras.
Conforme Valdeilton, Samuel foi beneficiado com reforma e ampliação de sua residência com recursos públicos. Ainda de acordo com o ex-servidor, o chefe de gabinete da primeira-dama instalou em sua casa a piscina do Palacinho. Segundo Valdeilton, a piscina teria sido instalada num lote que Samuel adquiriu ao lado de sua residência. "O fato causou grande indignação entre os demais funcionários, pois todos têm conhecimento que a referida piscina é patrimônio público, sendo que a mesma continua lá para quem quiser ver", afirmou o ex-servidor num relatório entregue à PF.
Ainda de acordo com Valdeilton, o chefe de gabinete de Dulce adquiriu uma panificadora, chamada Itália, "lotes, casas, apartamentos, em seu nome e de familiares por valores incompatíveis com os seus vencimentos".
Excursão ao Nordeste
Outra servidora que estaria se beneficiando do suposto esquema montado no gabinete do governador é a diretora financeira, Vânia Leobas Maracaípe. Segundo Valdeilton, ela teria contratado um ônibus especial de luxo, para proporcionar a cerca de 40 de seus familiares uma excursão a praias do Nordeste brasileiro. "O serviço (foi) contratado e pago através do Gabinete do Governador, sendo que, neste processo, a citada funcionária promoveu toda autuação processual e os devidos pagamentos, escondendo-os em meio à prestação de contas que se encontra no Tribunal de Contas do Estado do Tocantins, com autorização e conhecimentos do secretário Luiz Antônio da Rocha", acusou.
Valdeilton afirmou ainda à PF que Vânia também se beneficiou de recursos públicos para reformar sua residência. Mais que isso: com verba do gabinete, conforme o ex-servidor, teria comprado carro de luxo e lancha.
Funcionários "externos"
No depoimento à Polícia Federal, Valdeilton disse que lhe causou "estranheza" quando foi trabalhar por um período no setor de recursos humanos o controle que é exercido sob alguns funcionários lotados no gabinete como "externos". O ex-servidor disse que raramente via esses "colegas de trabalho" no gabinete. "Exceto nos finais de meses, quando os mesmos preenchiam toda a folha de ponto respectiva em uma mesma oportunidade", relatou Valdeilton à PF.
Segundo ele, a folha de ponto era levada por um office boy às residências de outros servidores. No depoimento à PF, Valdeilton disse que se recordava apenas de uma servidora "externa": a coordenadora de Patrimônio, Vanderlúcia Pagani, irmã da primeira-dama Dulce Miranda.
Valdeilton relatou à PF que Vanderlúcia dispõe de um carro oficial para atendê-la e de outro que leva até sua residência qualquer documento em haja necessidade de sua assinatura.