15/09/09 18h22 15/09/09 18h22

PSDB propõe ADI no STF contra lei aprovada na Assembleia que dispõe sobre eleição indireta

Patrícia Saturno
Da Redação

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) protocolou na tarde desta terça-feira, 15, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), com pedido de liminar, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), visando suspender a realização da eleição indireta para governador e vice-governador do Estado. 

O partido argumenta que a realização do pleito, da forma como vem sendo conduzida, pode trazer graves conseqüências. Também solicita a suspensão da eficácia da Lei nº 2.143/09, aprovada na Assembleia Legislativa, que amplia poder dos deputados em detrimentos dos partidos políticos. No mérito, os advogados pedem que seja acatada a ação e declarada a inconstitucionalidade de trechos da lei.

A última solicitação do PSDB é que o STF requisite “informações ao governador interino do Estado do Tocantins e à Assembléia Legislativa do Tocantins, ouvindo, sucessivamente, o Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República, que deverão manifestar-se, cada qual, no prazo de 15 (quinze) dias” sobre os argumentos contidos na ADI.

O partido considera que a lei viola diversos dispositivos da Constituição Federal. O primeiro questionamento é quanto à iniciativa do Executivo de encaminhar à Assembleia o projeto de lei dispondo sobre o processo eleitoral. “Não se admite, na espécie, a iniciativa extraparlamentar. Trata-se de matéria da competência privativa do parlamento, cuja violação agride a independência e a harmonia entre os poderes, e o estado democrático de direito”, diz na ação.

Para o partido, a questão se agrava em função do chefe do Executivo – o governador interino Carlos Henrique Gaguim (PMDB) - ser o candidato da Assembléia para a eleição indireta. “Não faz sentido, em menos de uma semana, o Governador interino enviar um projeto de lei à Assembléia Legislativa, com base no qual essa, após aprová-lo, o elegerá como governador do Estado do Tocantins. No mínimo, a iniciativa é irrazoável e casuística”, argumenta o impetrante.

Entre os muitos pontos questionados, está também o mais polêmico, que trata da atribuição dos partidos políticos de indicarem seus candidatos. O projeto de lei determina que caberá aos deputados estaduais, e não às siglas partidárias, fazerem a indicação dos candidatos que disputarão a eleição. Os impetrantes apontam que a lei desobedece às regras da fidelidade partidária que determina que “o cargo pertence ao partido e não ao político”. “Lamentavelmente, restou violado o disposto no art. 17, § 1º, da Constituição Federal”, diz o texto da ADI.

Outro questionamento é relacionado à forma que a lei prevê para a votação, quando determina que será "secreta". Para os impetrantes, a votação secreta, prevista na Constituição Federal, não se aplica à eleição indireta. “Sabe-se que para o cidadão o voto é secreto; já para o seu representante, o voto tem que ser sempre aberto, salvo as exceções previstas no texto constitucional”.

“Não há dúvida, que dita eleição causará dano irreparável, irreversível ou de difícil reparação ao requerente e a terceiros, especialmente porque a lei referida cria inegável limitação ao direito fundamental de ser votado (ius honorum), à participação dos partidos políticos no pleito eleitoral, à ordem constitucional e, de forma especial, às regras constitucionais que norteiam o processo eleitoral”, diz o PSDB.

Entre os prejudicados, conforme os impetrantes, estão os próprios deputados que vão disputar o pleito – Carlor Henrique Gaguim e Paulo Roberto (DEM) , respectivamente candidatos a governador e vice-governador – uma vez que terão que renunciar aos cargos para assumirem o governo. “O posterior reconhecimento da inconstitucionalidade apontada, não terá força para retorná-los a seus cargos como deputados”, destaca.

Confira a íntegra da Ação proposta pelo PSDB.
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  • 1º) comentário por em 15/09/09 20h33
    Aff... O Tocantins deve ser msm uma carniça...pq o tanto de urubu encima!! Impressionante.... e mais impressionante e ver órgãos publicos se transformaem comites e cabide eleitoral de um dia p outro... e vem o gaguin dizer q ta suspensa contratos sem concurso... ele ta precisando prestar mas atençao nos secretarios dele...aff
    (Usuário identificado pelo IP: 201.34.8.73)
  • 2º) comentário por em 15/09/09 20h39
    Interessante esse interesse do PSDB, em conseguir eleição direta para mandato tampão, logo este partido que inventou a maldita re-eleição no tempo do FHC. Coisa intrigante! será que não há algum outro interesse neste mexido?
    (Usuário identificado pelo IP: 189.11.222.47)
  • 3º) comentário por em 16/09/09 07h29
    O PSDB agiu de forma sensata, não entendo porque esse assodamento da Assembléia, o certo é utilizar o prazo previsto na Lei, e não ficar votanto Lei em cima da hora com uma única intenção, burlar a Lei vigente, os nossos Deputados deveria pensar um pouco no Tocantins, ações como esta mancha ainda mais a nossa história, o bom senso indica consulte um advogado especialista. E parem de ficar pensando apenas na eleição de 2.010. Jonas Barros Vereador do PV de Gurupi.
    (Usuário identificado pelo IP: 201.88.93.119)
  • 4º) comentário por em 16/09/09 08h39
    Enquanto isso... Os micros empresarios não recebe o que tem no Estado para receber. É melhor decretar situação de calamidade pública. MM deixou só dívida, quem vai resolver algo,enquanto a briga pelo poder continua?E os comprimissos ... Os juros... E uma vergonha, tamanha inresponsabilidade. Pensar no povo do TO ninguem pensa. Só pensam em poder e no povo da casa deles mesmos. O POVO QUE SE.....
    (Usuário identificado pelo IP: 200.219.76.153)
  • 5º) comentário por em 16/09/09 11h02
    Concodo com vereador Jonas Barros, os deputados deveriam ser um pouco mais cautelosos, pq podem prejudicar o Estado, com esta pressa toda, e caso a lei seja considerada inconstitucional após a eleição do entao candidato carlos gaguim e do vice paulo roberto eles tambem nao retornarao para seus mandatos de deputados, visto que terao que renunciar, com disse bem o PSDB, enfim, vejo que é momento de planejar, usar as leis que já existem, ter cautela e principalmente não subestimar a inteligencia do povo. pq a coisa mais facil que existe hje no tocanitns e conhecer lei, com tanto curso de direito pegando aluno no laço por ai. eles devem respeitar a povo tocantinense e os votos que receberam.
    (Usuário identificado pelo IP: 189.11.194.195)