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Remuneração defasada e "rotatividade" estão entre as justificativas para escassez de médicos

27/07/10 16h15

Raimunda Carvalho
Da Redação

Reclamar pela ausência de médicos em algumas das Unidades de Saúde de Família (USF), na Capital, já se tornou uma constante na vida dos tocantinenses. A superlotação ou intermináveis filas continuam gerando desconforto e descrédito nas autoridades que estão à frente deste segmento.

A equipe do Portal CT procurou, nesta terça-feira, 27, a presidente do Sindicato dos Médicos do Tocantins (Simed), Janice Painkow, e o secretário municipal de Saúde, Samuel Bonilha, para apontar os motivos da escassez deste tipo de mão de obra. “A causa principal de falta de médicos nos Prontos Atendimentos da Capital ocorre por deficiência na remuneração e de trabalho”, disse Janince.

Segundo ela, a saúde no município foi colocada de escanteio e não foi dado o crédito que precisa ter. “O reflexo vem ai. É um gestor que não conversa. Estamos há um ano tentando um diálogo com ele para tentar falar sobre a remuneração que está devassada e o prefeito não nos atende”, garantiu.

Questionado sobre o piso salarial de um médico na Capital, Janice afirmou que um profissional de 20 horas na prefeitura recebe um contra cheque de R$ 1,2 mil. “Tem município no Estado que paga bem melhor que o médico que atende em Palmas”, enfatizou.

Segundo a presidente, existe um projeto tramitando no Congresso para ser aprovado que solicita o salário de R$ 8.524,93 mil para os médicos. “É uma vergonha um médico de 20 horas aqui ganhar 1,2 mil e o prefeito achar que está bom ”, reclamou.

O programa municipal da saúde da família paga para o médico mais de R$ 5 mil, segundo a presidente. “Uma parte desta quantia vem do Ministério da Saúde, não é desembolsado da prefeitura. Ele mascara este fato, a nossa realidade é outra”, enfatizou.

Semus
Também foi ouvido, Samuel Bonilha considerou: “Essa ausência acontece apenas no programa da Saúde da Família (USF). Dos 44 médicos que atendem sempre existe uma rotatividade de 20%, que sai constantemente. Uns médicos entram e trabalham um ano, seis meses, oito meses e sai. Isto se dar muitas vezes por residências, especialidades que são realizadas fora de Palmas e geralmente acontece nos meses de janeiro e julho”, explicou

Outra consideração apontada por Bonilha para a ausência dos médicos está relacionada ao salário. “Muitos municípios acabam ofertando um salário que chega até R$ 16 mil. Eles acabam deixando município de Palmas para ir cumprir outros contratos. Aqui na Capital o médico do PSF recebe salário de R$ 8.226,21 ”.

Segundo o secretário, este contratempo tem acontecido com mais frequência em virtude da ausência do profissional e a falta de oferta para este profissional nos USF. “Temos cinco unidades que não tem médicos, nós estamos aguardado dois médicos assinarem o contrato”, ressaltou.

Em relação às unidades que estão desprovidas de médicos, Bonilha disse que são: Santa Bárbara, Novo Horizonte Aurenys I, II e III.

Leia sobre:  Palmas,  Janice Painkow,  Palmas,  Samuel Bonilha,  Saúde
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