Cleber Toledo
Da Redação
| Foto: Antônio Gonçalves/Ascop |
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| "O PT não pode deixar esse cara [Mourão] enlamear mais do que já enlameou nosso partido" |
O prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), entrou em contato com o
CT na tarde desta sexta-feira, 2, para falar, pela primeira vez, sobre a suposta manobra do ex-prefeito de Porto Nacional Paulo Mourão para ser indicado como candidato a senador do PT na chapa do governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB). "Esse moço [Mourão] é um doente, precisa de tratamento, é um psicopata, essa é a palavra certa", disse Raul se referindo a Mourão, para citar aqui os adjetivos mais publicáveis utilizados pelo prefeito da Capital para falar sobre o agora candidato a senador. Raul disse que foi traído também pelo presidente regional do PT, Donizeti Nogueira, hoje licenciado do cargo.
Segundo Raul, na convenção do PT, no sábado, 26, pouco antes de subir ao palanque para discursar na festa do lançamento de sua candidatura ao governo, Mourão chamou o prefeito de Palmas e a ex-presidente regional do partido Márcia Barbosa e disse que eles precisavam ajudá-lo a encontrar "uma saída honrosa" para que ele retirasse sua candidatura a governador. "Foi ele quem nos pediu para encontrar uma saída honrosa para que não disputasse o governo", contou o prefeito de Palmas.
Segundo o petista, Mourão teria dito que a saída mais honrosa para o caso seria um pedido do governo federal para que ele retirasse seu nome da disputa.
Assim, a pedido de Mourão, Raul e o presidente regional do PT, Donizeti Nogueira, foram a Brasília buscando essa "saída honrosa", acompanhando o então candidato a governador do PT.
Na conversa com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, na segunda-feira, 28, o prefeito contou que Mourão só se referia ao governador Gaguim como "gângster", "quadrilheiro", "líder de quadrilha" e "assaltante". "Eu sugeri que esse sujeito então ficasse com a vaga de senador e o ministro também sugeriu, e ele recusou de pronto, chamando mais uma vez o governador Gaguim de assaltante, líder de quadrilha e quadrilheiro", disse Raul.
Conforme o prefeito, Padilha convidou Paulo para ir à Câmara Federal, na reunião com Gaguim, o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, e a executiva do partido do governador. "Ele pediu ao ministro para não submetê-lo a esse constrangimento porque não queria aparecer na foto ao lado daquele "quadrilheiro", "bandido", "assaltante", termos que, mais uma vez, utilizou para se referir ao governador", afirmou Raul.
Por fim, segundo o prefeito de Palmas, Mourão aceitou ir, mas na chegada à Câmara desistiu e foi embora, mais uma vez, conforme Raul, disparando adjetivos fortes contra o governador do Tocantins.
Na saída da reunião com o PMDB, Raul contou que o ministro Padilha chamou ele e Donizeti e afirmou: "Olha, cuidado com esse moço [Mourão], esse moço não presta. Vocês tomem muito cuidado com esse moço, ele não é de confiança, ele não presta". "Tenho Deus como meu testemunha e o Donizeti é homem o bastante para falar isso, pode perguntar a ele", recomendou Raul.
Segundo o prefeito, o ex-ministro José Dirceu lhe disse, por telefone, nessa quinta-feira, 1, que Mourão foi a São Paulo, para se reunir com ele. "Ele [Dirceu] me disse que o Paulo pediu dinheiro para ser candidato a senador, logo depois de dizer que não queria ir ao Senado, mas o Zé disse a ele que, no Tocantins, seu compromisso era com o João Ribeiro [PR]", disse Raul.
Paralelo com 1998
Raul, então, fez um paralelo com outro episódio envolvendo ele e Paulo Mourão nas vésperas das convenções de 1998, quando ambos estavam no PSDB - Raul era pré-candidato a governador e Mourão, pré-candidato a senador. "Em 1998, eu voava num avião da TAM com Paulo Mourão, de Brasília para Palmas. Eu estava na pesquisa ali mais ou menos a uns 12 pontos atrás de Siqueira Campos. O Paulo tinha 2 pontos e o Eduardo [Siqueira Campos, também candidato a senador], 24. Falei sobre os comentários de que ele [Mourão] estaria vendendo o PSDB para o Siqueira. Ele me abraçou e disse: "Você tem um homem, rapaz, um irmão aqui em quem pode confiar"", relembrou o prefeito de Palmas.
Na Capital, Raul contou que, do aeroporto, ele foi para casa e Mourão para Porto Nacional. "No outro dia era a convenção. Ele [Mourão] passou a madrugada sentado com o pessoal do Siqueira. Quando chegou no dia foi aquela convenção sangrenta, na Assembleia Legislativa. Ele vendeu o nosso partido, o PSDB, para o governador Siqueira Campos", afirmou o prefeito. "Já fui traído por ele três vezes!"
Traído com o Salmo 23
Raul afirmou ao
CT que sua decepção também é grande com o presidente regional licenciado do PT, Donizeti Nogueira, ex-secretário de seu governo desde o início, em 2005. "Até há dois dias [terça-feira] tinha o Donizeti como um sujeito ético, correto. Hoje não mais", afirmou o prefeito.
Segundo Raul, também na volta de Brasília, em episódio, para ele, semelhante ao de 1998, Donizeti questionou o comportamento de Paulo Mourão. "Vínhamos eu e o Donizeti, de Brasília para cá, às vésperas da convenção, exatamente no mesmo período [que em 1998]. O Donizeti me disse: "Raul não estou conseguindo compreender esta questão do Paulo Mourão, primeiro deixou a gente vir na frente, não quis vir conosco [Mourão seguiu para São Paulo], aí ele pede um avião [Mourão não teve como voltar a Palmas num avião de carreira], você freta o avião e manda levá-lo. A filha desse cara liga esculhambando com a gente, dizendo que eu e você estávamos aqui em Brasília traindo o pai dela"", contou Raul.
Segundo o prefeito, Donizeti concluiu: "Esse cara está armando para cima de nós". "E o Donizeti perguntou se eu tinha uma Bíblia na cabeceira da cama e pediu para eu ler o Salmo 23 "porque o Paulo Mourão vai nos trair". Na verdade, quem estava me traindo era também o Donizeti e o Paulo Mourão, os dois combinados", acusou Raul.
Para o prefeito, Donizeti "tem que dar uma explicação para a opinião pública". "Porque o ministro Padilha recomendou para não aceitar o Paulo [ao Senado], por quê ele [Donizeti] preveniu meu espírito, pedindo para ler o Salmo 23, dizendo que o Paulo estaria nos traindo, e chegando aqui o Donizeti muda totalmente", afirmou.
Raul afirmou ainda que Donizeti teria jogado até os membros da executiva contra ele. "Quando cheguei à reunião, os membros da executiva me olhavam como se eu fosse o traidor. Até isso esse cara construiu contra mim no partido", lamentou.
Enlameado e indigno
Raul afirmou que o PT deve ter "pelo menos a decência" de convidar Paulo Mourão para "olhar nos olhos de cada um". "Porque a mentira transparece pelos olhos", disse o prefeito. Segundo ele, o PT "não pode deixar esse cara [Mourão] enlamear mais do que já enlameou nosso partido". "Ele já se mostrou muito indigno de fazer parte desse quadro. E o meu maior erro foi ter aceitado esse sujeito dentro da minha casa, convivendo com a minha família. O tempo vai mostrar quem é ele para o partido", avaliou Raul.
Outro lado
A redação entrou em contato com Donizeti Nogueira, que preferiu não se manifestar sobre o assunto. Paulo Mourão, por sua vez, já havia se manifestado, por meio de nota, dizendo que a partir de agora, " toda e qualquer informação sobre este caso será tratada na Justiça".