Da Redação
Num intervalo de 30 dias o governo do Estado do Tocantins foi alvo de três escândalos de repercussão nacional relacionados a denúncias de corrupção em órgãos de sua estrutura. Desta vez, a operação Covil, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, 26, apura indícios de fraude em licitação e desvio de verba federal.
Exatamente há um mês, na edição de 26 de abril, o jornal Folha de S.Paulo trazia reportagem sobre distribuição de materiais esportivos (bolas e jogos de camisa) para aliados durante a campanha eleitoral de 2008. O jornal revelou que teve acesso a documentos que comprovariam que o parte do material foi entregue na residência oficial do governador, no gabinete da primeira-dama e, também, destinada a deputados estaduais e federais aliados.
A Polícia Federal, acionada pelo Ministério Público Federal (MPF), abriu inquérito para apurar o caso. O governo negou a prática e abriu uma sindicância na Secretaria do Esporte para apurar o caso. Até mesmo um vídeo chegou às mãos das autoridades contendo imagens da entrega de material que foi retirado da Sespo e colocado num carro com adesivos de candidato a vereador no interior do Estado. O prazo da sindicância foi prorrogado e ainda não há conclusão. Porém, a única medida até agora é o afastamento da gerência da pasta o servidor que, convocado, relatou o caso ao MPF.
Presentes, shows e compra de voto
Vinte dias depois, a revista Veja e os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo divulgaram reportagens com base na denúncia feita por Angela Costa Alves, ex-chefe de gabinete da primeira-dama do Estado, Dulce Miranda. Ela entregou à Polícia Federal documentos que indicariam existência de esquema de superfaturamento de shows, uso de verba pública para compra de roupas de grife, joias, flores e até chocolates em lojas de grife (que beneficiariam a própria primeira-dada e o governador Marcelo Miranda).
Além disso, entregou relatório e recibos que indicariam distribuição de dinheiro a eleitores durante o programa Governo Mais Perto de Você, às vésperas do período eleitoral de 2006, ano em que Miranda foi reeleito governador.
O CT teve acesso a documentos que comprovam que a Secretaria da Juventude pagou quatro shows (cada um ao custo de R$ 171,6 mil) em cidades do interior, mas que somente um aconteceu e com preço inferior ao contratado, como revelam depoimentos obtidos pelo CT.
Em relação a essas denúncias o governo nega a prática. No caso da Secretaria do Esporte informou ter aberto sindicância para apurar os fatos.
Já em relação às acusações de Angela Costa Alves, o governador solicitou ao Ministério Público Estadual (MPE) abertura de inquérito para apurar o caso. À imprensa, além de negar a prática, homens do governo e aliados políticos trataram de responsabilizar a ex-servidora pelas ações, desqualificá-la relatando a quantidade de processos que responde na Justiça e até mesmo questionaram os documentos encaminhados por ela à PF e outos obtidos pelo CT com graves indícios de irregularidades.
Covil
No caso da operação Covil, o alvo é desvio de verba da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), mas, conforme as investigações, com resquícios em órgãos do governo estadual como a própria Secretaria de Infraestrutura e o Dertins.