Cleber Toledo
Da Redação
Como era esperado, o denunciante virou réu no caso da suposta distribuição irregular de material esportivo em 2008 para favorecer os candidatos do governador Marcelo Miranda (PMDB) nas eleições municipais do ano passado. A Corregedoria Administrativa da Secretaria Estadual de Esporte (Sespo) abriu processo administrativo contra o servidor Warlen Honório dos Santos.
Segundo a portaria, o processo foi aberto depois de a corregedoria receber "denúncia" contra Warlen, por ofício, no dia 22 de maio. Conforme a "denúncia", o servidor está com mais de 30 faltas "consecutivas e injustificadas" a partir de 1° de abril de 2009. A Corregedoria determinou a instauração dos trabalhos no primeiro dia útil após a publicação da portaria. Ou seja, o processo começará nessa quarta-feira, 10.
Ao CT, Warlen disse no dia 28 de abril que deixou de ir à secretaria a pedido do próprio secretário Palmeri Bezerra. "As palavras que ele utilizou foram para eu deixar a poeira abaixar e ver o que está acontecendo, até porque ele sabia com antecedência que esse material seria publicado na mídia", contou o servidor.
Outro procedimento administrativo - uma sindicância - ocorre na Sespo para apurar irregularidades no almoxerifado e também sumiço de documentos. A sindicância foi "prorrogada" por 30 dias. O CT colocou em dúvida os primeiros 30 dias de trabalho da sindicância, que, para o site, não existiram. A Sespo garantiu que a sindicância completou 30 dias no dia 7 de maio, data em que foi prorrogada por igual período.
Warlen disse não acreditar na seriedade da sindicância e que a apuração dos fatos deveria ser feita por outro órgão. "A Sespo não é a indicada para apurar as denúncias. Temos a Controladoria, o Ministério Público, a Polícia Federal, que poderiam fazer", afirmou. Ele justifica a acusação ao afirmar que a sindicância foi criada para prejudicá-lo. "Por tudo isso que estamos vendo, estão querendo forjar uma falha no meu comportamento. Estão querendo forçar erro meu para me exonerar", declarou.
Entenda o caso
Ele denunciou ao Ministério Público Federal em abril a distribuição de material esportivo para, supostamente, beneficiar candidatos aliados do Palácio Araguaia nas eleições do ano passado. O caso foi parar no jornal Folha de S.Paulo no dia 26 do mês passado.