24/09/10 11h23 24/09/10 11h23

Pátio multimodal de Colinas da Ferrovia Norte-Sul já transporta cerca de 600 mil toneladas de grãos

Wendy Almeida
Da Redação

O superintendente Nacional da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, Mauro Augusto Ramos, esteve em Palmas nessa quinta-feira, 23, para apresentar um painel no XXI Encontro Brasileiro de Administração e, em entrevista ao CT, explicou o funcionamento da Ferrovia Norte- Sul, no Tocantins. Conforme Ramos, somente o Pátio Multimodal de Colinas está operando atualmente no Estado. "A Vale do Rio Doce já está transportando cerca de 600 mil toneladas de grãos, e a previsão é que no ano que vem aumente para 1,5 milhão", disse.

O trecho inicial da Ferrovia Norte-Sul de Açailândia, no Maranhão, até Anápolis, em Goiás, são de 1.574 quilômetros. Esse trecho corta o Tocantins em cerca de 800 quilômetros e seis pátios multimodais, são eles: Aguiarnópolis, Araguaína, Colinas, Guaraí, Palmas/Porto Nacional e Gurupi.

O superintendente afirmou que, no Tocantins, a Norte-Sul está praticamente pronta. “Nós estamos na reta final desse trecho inicial, 855 quilômetros da Norte-Sul ainda está em obras, entre Palmas e Anápolis, mas nós temos em toda extensão três empresas construindo, então a ferrovia deve ser entregue até o final do ano. A partir do ano que vem, começaremos a construir até São Paulo, onde vai se unir com outra ferrovia, e o outro trecho que vai ser construído é de Açailândia a Belém [PA]”.

Operação
Ramos explicou que, depois de terminada a obra da ferrovia, ainda demora alguns meses para a mesma entrar em operação. “Não é só terminar a ferrovia e já pode operar. Depende de vários fatores, a empresa tem que se instalar, montar a unidade. Por exemplo, essa parte que liga a Palmas, terminou agora, eu acredito que até o final do ano as empresas começam a operar aqui e a pegar carga”.

De acordo com o superintendente, até Palmas, comercialmente, a ferrovia está sendo operada pela Vale do Rio Doce. “Quem faz toda essa operação que vai captar a carga, cobrar pelo transporte, colocar os trens em funcionamento é a Vale. De Palmas para baixo a gente não tem a concessão ainda feita, e não sabe como vai ser feito isso”, contou.

O superintendente ressalta que, um novo modelo de operação está sendo adotado, “Ainda não temos certeza como vai funcionar, se são várias operadoras ou se é só uma. Vai ser feita uma licitação para resolver o problema da concessão, possivelmente a Valec que vai fazer a gestão da operação, ela que vai distribuir e vai decidir quem vai vender, só que ainda não está decidido, mas vai chegar o momento propício para isso”, pondera.

Segundo o superintendente, o Pátio Multimodal de Guaraí também deve estar próximo de começar a operar. “A empresa Bunge está construindo o transbordo para álcool e açúcar lá, e tem uma empresa estadual, Petróleo Tabocão, que também tem o compromisso de começar sua unidade no município”, afirmou.

Em Colinas, a Vale já montou uma estrutura para grãos, que está funcionando, e vai começar a construir uma estrutura para fertilizantes. "Outra empresa grande está começando a construção para transportar grãos lá, e também deve ter uma para carne a partir do ano que vem”, informou.

Em Araguaína, segundo Ramos, algumas coisas atrasaram, mas a plataforma deve operar a partir do ano que vem também. Em Palmas, a licitação do arrendamento para as empresas está em andamento. “Dia 19 agora é a abertura dos editais lá em Brasília, para ver quais empresas querem participar, tem várias empresas interessadas, companhias grandes”, contou.

Logística
Segundo o superintendente, os municípios e estados vizinhos à Ferrovia Norte-Sul poderão ganhar com logística. “Os grãos vai sair pela ferrovia bem mais baratos é um ganho para o produtor. O minério também vai ter uma rota para sair no futuro, o álcool, combustível , então vai se ter mais produtos, com o preço mais baixo”.

Para Ramos, a Norte-Sul não é importante só para o Tocantins, mas para o Brasil. “O país vai ter uma nova via de escoamento mais barata, que vai sair dos portos da região Norte em vez de sair dos portos tradicionais, das regiões Sul e Sudeste, só aí você ganha de três a quatro dias de navio. Além do mais, o trem proporciona maior velocidade e capacidade no transporte de carga. Se comparado a um caminhão, a economia é maior, porque a ferrovia descarrega direto no porto e não precisa de filas. No mais, ainda pode transportar volumes maiores a um custo menor, isso vai ajudar a diminuir o frete que está sendo embutido no preço. Enfim, a Norte-Sul vai integrar todas as regiões do país”, finalizou.

Norte-Sul
O traçado inicial da Ferrovia Norte-Sul previa a construção de 1.574 quilômetros de trilhos, cortando os estados do Maranhão, Tocantins e Goiás. Com a Lei nº 11.297, de 9 de maio de 2006, que incorporou o trecho Açailândia-Belém ao traçado inicialmente projetado, e com a Lei nº 11.772, de 17 de setembro de 2008, que estendeu o traçado até a cidade paulista de Panorama, a Ferrovia Norte-Sul, de Belém (PA) a Panorama (SP), terá, quando concluída, 2.760 quilômetros de extensão.

A Ferrovia Norte-Sul foi projetada para promover a integração nacional, minimizando custos de transporte de longa distância e interligando as regiões Norte e Nordeste às Sul e Sudeste, através das suas conexões com 5 mil quilômetros de ferrovias privadas.
Definida como a “espinha dorsal” do desenvolvimento brasileiro, a Norte-Sul tem a importância estratégica para completar o processo de integração de todas as regiões brasileiras à nova dinâmica que o modal ferroviário vai oferecer à sociedade a aos segmentos produtivos como um todo. Alguns dos novos trechos tem, inclusive, a função primordial de fazer ligação da Norte-Sul às redes ferroviárias já existentes.

Inicialmente, o projeto se interligaria à Ferrovia dos Carajás, em Açailândia, no Maranhão, e à Ferrovia Centro-Atlântica, em Anápolis. Agora, além de se conectar ao Porto de Belém, ela vai se conectar à Ferroban, em Estrela D´Oeste (SP) Isso, sem contar as possibilidades que se abrem com a construção de ramais, como os de Brasília e Goiânia, dois dos maiores mercados do planalto central brasileiro.

Trechos concluídos
- De 1987, quando se iniciaram as obras de construção da Ferrovia Norte-Sul, a 1989, no governo Sarney, foram construídos 95 quilômetros de estrada, ligando as cidades de Açailândia e Imperatriz, no Maranhão.

- De 1995 a 2002, no governo Fernando Henrique, foram construídos 120 quilômetros, ligando Imperatriz a Aguiarnópolis (TO).

- No governo do presidente Lula, a Ferrovia Norte-Sul passou a ter grandes avanços e um ritmo bem mais acelerado em suas obras. Ao todo, já foram construídos 504 quilômetros, de Aguiarnópolis a Palmas, no Tocantins, e 855 quilômetros, entre Palmas e Anápolis, estão em obras, com conclusão prevista.

- Entre Guaraí e Palmas, cujo trecho é de 139 quilômetros, as obras foram finalizadas em agosto e inauguradas nessa terça-feira, 21. Nos trechos já concluídos, os pátios multimodais começam a ser ocupados por grandes empresas, interessadas nas facilidades e economia do transporte ferroviário.

Trechos em obras
- Do Pátio Multimodal de Palmas, onde mais de uma dezena de grandes empresas estão se preparando para implementar suas estruturas de armazenagem e carga e descarga de produtos como etanol, fertilizantes, minérios e grãos, até o Córrego Jaboti, a 100 quilômetros ao sul do pátio, as obras já estão também bastante adiantadas, com conclusão prevista para outubro.

- Do Córrego Jaboti ao Córrego do Chicote, a 65 quilômetros ao sul do Pátio de Gurupi, são mais 211 quilômetros de estrada em andamento, com conclusão prevista para dezembro.

- Do Córrego Chicote ao Rio Canabrava, já em Goiás, são mais 65,8 quilômetros em construção, com previsão de entrega para outubro.

- Do Rio Canabrava à GO 244, em Porangatu (GO) são 51,5 quilômetros, com o trecho já contando com mais de 80% das obras realizadas, com término previsto para setembro.

- Da GO 244 à GO 239, em Mara Rosa, o trecho de 75,8 quilômetros foi iniciado em dezembro de 2009 e será concluído em outubro.

- De Mara Rosa ao Pátio de Uruaçu, as obras foram iniciadas em junho de 2009 e serão finalizadas em outubro de 2010, num trecho de 71 quilômetros.

- Do Pátio de Uruaçu ao Pátio de Santa Isabel, o trecho de 105 quilômetros já conta com cerca de quase 50% das obras realizadas, com previsão de conclusão para outubro.

- De Santa Isabel até o Pátio de Jaraguá são mais 71 quilômetros, cujo trecho já conta com 55,5% das obras realizadas, devendo estar concluído também em outubro.

- Do Pátio de Jaraguá a Ouro Verde são mais 53 quilômetros, cujas obras foram iniciadas em dezembro de 2009 e serão concluídas em outubro.

- De Ouro Verde a Anápolis, o trecho de 39 quilômetros já está com as obras bem adiantadas, restando apenas o assentamento dos trilhos, o que deverá ser concluído já em setembro.

- No trecho de Anápolis até o Porto Seco, onde a Norte-Sul se conectará com a Ferrovia Centro-Atlântica, os 12 quilômetros da ferrovia já estão com quase 100% das obras realizadas, devendo ficar prontos ainda em setembro. (Com informações da Agência T1)
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  • 1º) comentário por em 24/09/10 11h46
    Exelente materia Cleber....Atual para o momento de escandalo que vivemos!!!
    (Usuário identificado pelo IP: 189.11.229.114)
  • 2º) comentário por em 25/09/10 11h31
    Discordo do Rodrigues a materia e inoportuna, saiu como um tiro no pe, pois a o trecho de colina para acailandia está pronto a mias de um ano, e somente agora veio operar... Mostra o descaso com o dinheiro publico e que a conteúdo e extremamente eleitoreiro, cabe MP nesse assunto...
    (Usuário identificado pelo IP: 189.72.208.228)