Da Folha Online
A deputada distrital Jaqueline Roriz (PMN) usou a tribuna da Câmara Legislativa do Distrito Federal para sair em defesa de seu pai, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC). Jaqueline afirmou que a colega Eurides Brito (PMDB) é uma "cara de pau" por afirmar que o dinheiro de suposta propina que aparece colocando na bolsa era do ex-governador.
O pronunciamento de Jaqueline foi feito após Eurides dizer em plenário que vai enfrentar o processo por quebra de decoro parlamentar, sem fugir como fizeram os Júnior Brunelli (PSC) e Leonardo Prudente (sem partido), que decidiram renunciar ao mandato para evitar a cassação e a perda dos direitos políticos.
"Ela é uma grande de uma cara de pau. O ano que ela perdeu a eleição, foi o ano que não teve o apoio dele [Roriz]. Esquece ela que já trabalhava na campanha de José Roberto Arruda [e não de Roriz]. As imagens falam por si. É bom que ela esclareça [os vídeos], pois achar outro bode expiatório é muita falta de caráter", completou.
Eurides não apareceu em plenário para rebater Jaqueline. Em nota publicada em seu blog, Eurides afirmou que o dinheiro que aparece nas imagens colocando em sua bolsa era do ex-governador.
No blog, a deputada explica que o vídeo foi gravado durante a campanha eleitoral de 2006, antes de ela assumir o mandato na Câmara do DF. "Não quero me justificar com isso. O que quero dizer é não houve quebra de decoro parlamentar, porque era antes desse mandato", escreveu Eurides em seu blog, que reproduziu trechos de uma entrevista da parlamentar a um jornal local.
Eurides conta que sempre teve uma "ligação muito estreita, muito amiga" com Roriz, que segundo ela autorizou a realização de reuniões para depois arcar com as despesas. Eurides disse que foram cerca de 12 reuniões entre maio e junho de 2006. Porém, de "certo por esquecimento", o ex-governador não pagou as despesas na sequência dos encontros.
Ao todo, oito distritais são suspeitos de participarem do esquema de corrupção. A Câmara abriu processo contra Eurides, Prudente e Brunelli, os três flagrados em vídeos, mas suspendeu a tramitação das representações contra outros cinco. Ficou definido que a Casa vai esperar a conclusão da investigação do STJ (Superior Tribunal de Justiça), para definir o futuro político desses parlamentares.
Também são alvo de pedidos de cassação os deputados Rogério Ulysses (sem partido), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Rôney Nemer (PMDB) e Aylton Gomes (PRP).