Cleber Toledo
Da Redação
Na discussão sobre alteração do nome da avenida Theotônio Segurado, na tensa sessão da Câmara desta terça-feira, 14, muitas críticas ao governador Marcelo Miranda (PMDB). No discurso do vereador Lúcio Campelo (PR), que questionava declarações do presidente da OAB do Tocantins, Ercílio Barbosa, ao
Portal CT, o presidente da Casa, Wanderlei Barbosa (PSB), disse que se arrependeu de ter votado em Marcelo em 2006, ao lembrar que não votou no ex-governador Siqueira Campos (PSDB).
O presidente da OAB afirmou ao
Portal CT semana passada que a entidade pode ir à Justiça se a Câmara aprovar a mudança do nome de Theotônio Segurado para Governador Siqueira Campos. Para Campelo, a declaração de Ercílio soou como uma ameaça ao Legislativo da Capital. "Ele [Ercílio] deveria respeitar o Legislativo", criticou o parlamentar.
O vereador Carlos Braga (PMDB) defendeu Ercílio. Para o parlamentar, o presidente da OAB não tentou pressionar a Câmara, mas fez uma sustentação jurídica. Braga disse que uma lei federal proibe dar nomes de pessoas vivas a prédios públicos. Segundo ele, em cidades em que houve ação sobre esse tema, os tribunais julgaram favoráveis à retirada dos nomes onde tem aplicado recursos da União. "Em tudo em Palmas há dinheiro da União", avisou o vereador. Braga avaliou que Ercílio, com a afirmação ao
Portal CT, mostrou o pensamento dele e "está com a razão".
"Ditador velado"
O presidente Wanderlei Barbosa disse que não viu ninguém questionar quando a Prefeitura de Porto Nacional colocou o nome do secretário estadual de Infra-Estrutura, Brito Miranda, na rodoviária da cidade. "Não vi manifestação de ninguém. E a lei é para todos. Se pode para Brito Miranda e Fernando Henrique Cardoso, pode para os outros", defendeu Wanderlei.
Ele reafirmou seu apoio à mudança da Theotônio para Governador Siqueira Campos. O vereador disse que não está votando em Siqueira. "Mas na história do Siqueira. E voto de acordo com a minha consciencia", disse.
Wanderlei lembrou que votou contra Siqueira em 2006. "Mas se Siqueira não tivesse criado a Capital, Palmas não estaria aqui, tudo isso aqui não existiria", defendeu. O vereador ironizou dizendo que, dentro de uns anos, quando Siqueira morrer, os que os estão criticando ele hoje estarão dizendo que eram seus amigos. "Porque Siqueira não vai mais representar ameaça política a ninguém. Eu quero homenageá-lo em vida", reforçou o parlamentar.
Ao voltar falar da eleição de 2006, Wanderlei disse que votou em Marcelo e que hoje vê isso "com muito arrependimento". "Se me perguntassem hoje se eu votaria no Siqueira ou no Marcelo, eu digo que votaria no Siqueira, porque o Marcelo é um ditador velado que está acabando com o Estado", atacou o presidente da Câmara Municipal de Palmas.
Palmas abandonada
O vereador Lúcio Campelo também criticou o governador Marcelo Miranda ao falar sobre uma frase que atribuiu a seu colega Fernando Rezende (DEM), de que Raul não estaria querendo parceria com o governo do Estado. "O povo de Palmas não tem nada a ver com a posição política do prefeito Raul Filho", defendeu Campelo. Segundo ele, Palmas está "abandonada pelo governo do Estado". O vereador chamou o governador de "inerte". "Onde está uma obra do governador Marcelo Miranda na Capital?", perguntou Campelo.
Povo não acredita no governo
O vereador Milton Néris (PT) criticou o governo do Tocantins numa polêmica também envolvendo o vereador Fernando Rezende, que apresentou um suposto laudo que mostraria contaminação da água em área rural de Palmas. Neris questionou a qualidade técnica do laudo, negou a contaminação e teceu duras críticas ao governo Marcelo Miranda. "[Rezende fica] defendendo o Ruraltins como se o Ruraltins cumprisse seu papel nesse Estado, como se o Tocantins estivesse caminhando a passos largos na produção agrícola e na assistência", disse o vereador petista.
Neris também disse que Rezende é defensor "de um governo do Estado que não são só nós políticos que estamos nas ruas questionando a sua inércia, mas é também o povo que está dizendo". "O povo que não acredita mais nesse governo que diz à PM que vai pagar, para ganhar eleição, e depois diz que não vai pagar e fica enrolando, embromando e empurrando com a barriga", atacou Neris, para mais a frente completar: "[Rezende] Fica defendendo um governador que não tem respeito pelo povo de Palmas".