Raimunda Carvalho
Da Redação
Uma paralisação da Polícia Militar no Tocantins não está descartada. A informação é do presidente da Associação de Cabos e Soldados do Tocantins (ACS), Geovane Alves dos Santos. “Dentro da corporação existem problemas suficientes para que esta possibilidade seja avaliada. Há um grande desgaste emocional entre os militares. Existe um descontentamento com o comando geral em relação a maus-tratos, perseguição, condição precária de trabalho, escalas de trabalho abusivas e desumanas”, afirmou o presidente.
Quanto à escala de trabalho, de acordo com o presidente, é algo que não é “respeitado”. “Tem militar que chega a trabalhar 24 horas ininterruptas e folgando 24 horas, quando o tempo indicado é de 48 horas de folga. O pior, estas horas extras não são repassadas para o militar”, disparou o presidente.
As escalas abusivas, de acordo com Geovane, desencadeiam problemas de saúde física e psicológica nos militares. “Mais de 200 policiais militares estão encostados por determinação da Junta Médica. O militar no Tocantins não tem boa qualidade de vida e nem oferece assistência à sua família por causa da ausência constante. A sobrecarga de trabalho é desumana”, reclamou o presidente, acrescentando que quando o policial demostra insatisfação logo surge uma remoção.
Concurso
A realização de um concurso público resolveria o déficit de mais de seis mil policiais no Estado. “A falta de efetivo é grande. A única maneira de resolver o problema é a realização de um certame. Como não existe diálogo do comando geral com a categoria, a situação só tende a piorar”, enfatizou o presidente.
Criminalidade
A Polícia Militar divulgou que a criminalidade no Estado está diminuindo, no entanto, o presidente não concordou. “Este dado não tem consistência. Em Taquaralto, por exemplo, existem apenas dois militares trabalhando. Qual a segurança que eles podem oferecer à população? Em Buritirana, apenas um policial está de plantão. Cadê a segurança? Não existe. Este número de servidores para garantir a segurança para sociedade não é legal. Hoje não existe militar para registrar ocorrências”, enfatizou.
PEC 300
Polícias militares de quatro Estados já entraram em greve. O motivo é o trancamento da tramitação da PEC 300 no Congresso Nacional, que estabelece um piso nacional para os policiais militares. Os Estados com grupos de praças que reivindicam o apoio à PEC 300 são Roraima, Mato Grosso, Tocantins, Goiás, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.
Em nota divulgada nesta quarta-feira, 8, a PM limitou- se a dizer que o comando geral prima pela legalidade em todas as esferas e trabalha em unidade e que o comando está aberto para discutir e buscar soluções a todos os assuntos pertinentes e ligados à melhoria da qualidade de vida pessoal e profissional do trabalhador policial militar.
Leia a íntegra da nota
“NOTA PMTO
Em resposta à solicitação desse veículo de comunicação, o Comando Geral da Polícia Militar informa que prima pela legalidade em todas as esferas e trabalha em unidade com toda a Corporação, estando aberto para discutir e buscar soluções a todos os assuntos pertinentes e ligados à melhoria da qualidade de vida pessoal e profissional do trabalhador policial militar.”





