(Provérbios)
![]() |
| Peterson Oliveira Costa É presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil da 706 Sul, em Palmas costapeterson@bol.com.br |
Jesus, que é a verdade, deu exemplo clarividente de que nem sempre a razão está no muito falar e na demonstração de superioridade argumentativa. A história está narrada em João 8. Cristo estava no templo, os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher flagrada em adultério. Eles questionavam o Messias sobre a viabilidade de apedrejá-la, cumprindo assim a lei de Moisés. O que Jesus fez? Inclinou-se e começou a escrever no chão. Eles insistiram na pergunta. Jesus se levantou e fez o seguinte desafio: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado que atire a primeira pedra”. Após isso, inclinou-se novamente e voltou a escrever no chão. Todos se retiraram envergonhados do lugar, ficando apenas Cristo e a mulher.
Às vezes é melhor se “inclinar” e ouvir, pensar e refletir. O embate argumentativo não representará sempre a melhor alternativa, principalmente se um dos interlocutores possuir o coração carregado de maldade e desprezo como demonstraram os escribas e fariseus.
O que está em jogo não é fugir do confronto de idéias, mas saber se da discussão é possível ter o mínimo de racionalidade, discernimento e bom-senso para argumentar e contra-argumentar. E mais, é preciso saber se o que muito fala está disposto a ouvir, pois se for um monólogo é melhor que ele fique sozinho, utopicamente falando na incongruência de sua pseudorrazão.
Jesus não falou muito, mas apenas o essencial, aquilo que realmente proporcionaria uma reflexão salutar e a saída súbita de todos do lugar. Cristo não disse nada sem refletir, sem visualizar o grau de sinceridade no coração das pessoas, sem estudar realmente quem deveria ser apedrejado.
Um dia todos hão de se encontrar com a Verdade, que é Deus, e saberão que o Senhor pesa é a sinceridade do coração e não o tamanho da língua.
Que Deus tenha misericórdia da nossa boca e ilumine a nossa reflexão!
