Patrícia Saturno
Da Redação
O clima esquentou mais uma vez no plenário da Assembleia legislativa nesta terça-feira, 15, em função do processo eleitoral de outubro. Dessa vez, o personagem principal foi Paulo Roberto (PR), que aproveitou a ocasião para criticar medidas da oposição, principalmente, o processo que gerou a liminar proibindo a distribuição de bicicletas aos pioneiros mirins.
Com um discurso em tom até dramático, o deputado reafirmou sua postura de aliado ao governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB) – apesar de o seu partido, o PR, seguir a oposição –, questionando como seria possível conviver com um grupo de partidos que “toma bicicleta de criança”. “Como conviver com um povo que não tem coração?”, questionou. O discurso arrancou risos dos presentes quando disse que “a maldição de mexer com criança é como bater em padre”. Ele ainda chamou de crime a tentativa “de matar o sonho de várias crianças” do Estado.
Segundo o parlamentar, o grupo da oposição teria usado um “partido de aluguel”, “laranja”, para mover a ação. Isso, segundo ele, é “jogar pedra e esconder a mão”. Quem moveu a ação contra o governo para parar com a distribuição das bicicletas foi o PTN, aliado a Siqueira Campos (PSDB).
Embate com Lelis
A discussão se caracterizou quando o deputado, no meio do discurso, envolveu no nome do deputado estadual Marcelo Lelis (PV), dizendo, já sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4125, - dos comissionados –, que aquela era a primeira vez que via o deputado do PV não estar apoiando uma demanda dos sindicatos. Em resposta, Lelis declarou que nunca tinha ouvido um discurso "tão demagogo" quanto o feito por Paulo Roberto.
Segundo Lelis, é difícil entender "como um deputado se presta a isso”. Ele frisou que, com relação às bicicletas, não se trata de “mexer com crianças” e sim de lei e destacou que o Estado passou recentemente pelo processo traumático de uma eleição indireta e que não será “comprando consciências” que a eleição deverá ser definida novamente. Lelis reforçou que ninguém é contra as crianças receberem as bicicletas, o problema, conforme destacou, é é que em ano eleitoral, a doação é ilegal.
O deputado aproveitou ainda para acusar o governo do Estado de patrocinar terrorismo oficial para amedrontar os servidores, com relação à ADI dos comissionados, e afirmou que Gaguim deve ter ficado decepcionado pelo fato do Supremo Tribunal Federal não ter determinado as exonerações imediatas. Este, segundo o deputado, era o objetivo do governador visando se beneficiar eleitoralmente.
Nível
A partir daí, o nível das discussões foi reduzido. Paulo Roberto retrucou a declaração de Lelis de que seu discurso teria sido demagógico e chegou a acusar o parlamentar do PV de falsidade, alegando que este retornou à base da União do Tocantins por ter feito acordos visando as eleições de 2012, à Prefeitura de Palmas. Roberto disse não conhecer a história política de Leis, “porque realmente a sua história é pequena”. Citando a família do deputado, afirmou que o utista, quando chegou a Palmas, o pai era secretário. “Essa é sua história, ser filho de um secretário”, disse.
Depois de muita discussão, Lelis cobrou respeito e declarou que, quando Gaguim anunciou que seria candidato – diferente do que estava acordado anteriormente –, o PV entregou os cargos para seguir seu caminho natural, suas raízes políticas e negou ter feito acordo visando 2012. Segundo o deputado, não há qualquer acordo nesse sentido, até porque, conforme declarou, quem vai disputar a eleição é quem tiver respeito pelo povo.
Paulo Roberto ainda voltou à tribuna onde continuou às críticas à oposição e reafirmou apoio a Gaguim.
Críticas duras
Antes de começar o embate com Lelis, Paulo Roberto já havia endurecido o discurso com o grupo de Siqueira Campos declarando que não vê possibilidade de seguir aliado a este. Ele declarou que a coligação que está se formando pode ser comparada a um “samba de crioulo doido” à medida que “troca uma líder como Valderez (Castelo Branco, PP), por “João Mordomo” (sic), se referindo ao presidente do Democratas, João Oliveira, escolhido para vice na chapa utista; “troca” o município de Araguaína pelo de Presidente Kenneddy; propõe a demissão de mais de 21 mil servidores comissionados; e tenta impedir que os pioneiros mirins recebam as bicicletas. “É o samba do crioulo doido. Não tem parâmetro para um coordenador de uma campanha dessas. Como pedir voto para quem em poucos meses toma essas atitudes?”, perguntou.





