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Comissão da Verdade vai reabrir caso de guerrilheiro morto em Natividade em janeiro de 1972

Estadão divulgou no sábado imagens inéditas de Ruy Carlos Vieira Berbert, o que incentivou a investigação
Da Redação

O Estadão divulgou no sábado, 7, imagens inéditas do guerrilheiro Ruy Carlos Vieira Berbert, desaparecido em janeiro de 1972, aos 24 anos, morto na cadeia de Natividade, no Tocantins. O jornal conseguiu acesso às fotos através de um pedido, com base na Lei de Acesso à Informação, que liberou documentos antes mantidos em sigilo.

As primeiras informações sobre o guerrilheiro, conseguidas pela família em 1992, seriam de que Berbet teria se suicidado, porém as suspeitas são de que ele tenha sido assassinado pelo regime. Conforme divulgou o Estadão, as fotos de Berbert são as primeiras divulgadas, após a redemocratização, de um guerrilheiro morto nas dependências de um órgão do Estado.

Também de acordo com o Estadão, Berbert integrava o Movimento de Libertação Popular (Molipo), que tinha 28 integrantes, a maioria dos quais foi dizimada nos dias subsequentes à sua morte.

Com a divulgação das fotos e do relatório, a Comissão da Verdade, que investiga crimes da época da ditadura, quer reabrir o caso do guerrilheiro. 

De acordo com o Estadão, o ministro Gilson Dipp integrante da Comissão afirmou que as fotografias do corpo de Berbert, localizadas pelo Estadão no Arquivo Nacional, revelam a necessidade de nova busca dos restos mortais e uma reavaliação das circunstâncias da morte do guerrilheiro. "Vou propor à comissão que se defina uma equipe de técnicos para verificar o que ocorreu", afirmou.

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História
Barbet era do interior de São Paulo. Cursou letras na Universidade de São Paulo e estava na lista de estudantes que foram presos durante o Congresso da UNE de Ibiúna, em 1968. Depois da prisão, Berbet passou a ser procurado suspeito de desviar um avião da extinta Varig para Cuba.

Em Cuba, ele recebeu treinamento como guerrilheiro e retornou ao Brasil como membro do Molipo, também chamado Grupo Primavera ou Grupo da Ilha, uma dissidência da Ação Libertadora Nacional (ALN), chegando a Natividade.

Conforme o Estadão, o guerrilheiro passou pouco tempo na cidade. Teria sido preso por um grupo de guardas locais e somente depois de sua prisão agentes externos do regime militar teriam chegado.

Morte
Em janeiro de 1972, um morador da cidade chamado Antônio Batista Borges viu o guerrilheiro pendurado pelo pescoço com um lençol amarrado a troncos de madeira que sustentavam o teto da cadeia. Na época, Berbet foi registrado pelos moradores como "João Silvino Lopes". Ainda existem contradições sobre quando os agentes externos chegaram a Natividade. Se antes ou depois da morte de Berbet.

O Estadão também afirmou que um relatório de dez páginas assinado pelo agente da Polícia Federal Paulo Celso Braga, de Goiânia, também encontrado com as fotos no arquivo nacional, contraria a versão oficial de que o guerrilheiro teria se matado.

Conforme o relatório, o médico da cidade teria se recusado a fazer a autópsia e um farmacêutico teria realizado o procedimento de forma improvisada. O relatório informou que o corpo do guerrilheiro foi sepultado no cemitério de Natividade, às 18h30 do dia 2 de janeiro de 1972, porém, os restos mortais nunca foram encontrados. Conforme divulgou o Estadão, a equipe de Agentes Externos só teria deixado Natividade dois dias após o suposto enterro de Berbet.

Ainda conforme o relatório divulgado pelo Estadão, antes de morrer, Berbet teria quebrado em pedacinhos uma caixa de fósforo e, com os pedaços, escreveu no piso da cadeia a palavra "Revolução" e, com o tubo de pasta dental, improvisou o desenho do escudo da bandeira russa, foice e martelo.
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  • 1º) comentário por em 10/07/12 10h05
    É bom que tenhamos em mente que a democracia hoje adquirida foi por meio de grandes lutas. E que o sangue derramado por muitos não seja em vão, não deixemos a democracia seja corrompida pelas mais diversas guerrilhas que hoje enfrentamos. VIVA O ESTADO DEMOCRATICO DE DIREITO, GUERRIEMOS SEM PERDER A TERNURA.
    (Usuário identificado pelo IP: 187.28.144.251)
  • 2º) comentário por em 10/07/12 10h06
    Quando ocorreu a morte do GUERRILHEIRO, eu tinha 12 anos de idade e lembro deste acontecimento pois no momento eu estavava indo para a fila do açouque por volta das 04:45 da manhã para comprar carne e acho que foi suicidio e não assassinato.Lembro ainda que o meu parente Tio Antoninho já falecido presenciou junto comigo o cidadão se agonizando com uma corda no pescoso e deixando no piso da cadeia a palavra REVOLUÇÃO aproveitando de uma caixa de fósforo. O Sr. Guerrilheiro sabia o que estava fazendo
    (Usuário identificado pelo IP: 189.10.86.143)
  • 3º) comentário por em 10/07/12 15h59
    É incrível como para se livrar da responsabilidade se assume atos estúpidos como deixar um prisioneiro 'perigosíssimo' manter sob o seu poder uma caixa de fósforos. Salvo engano esse jovem foi morto na mesma época em que um outro jovem também preso em Natividade foi recambiado para a cadeia pública de Porto Nacional onde ficou exposto aos curiosos, inclusive eu, como um TERRORISTA PERIGOSÍSSIMO preso em Natividade.
    (Usuário identificado pelo IP: 187.7.203.198)
  • 4º) comentário por em 10/07/12 16h03
    Eu era criança e talvez por isso mesmo guardo com nitidez aquela imagem daquele jovem andando de um lado para outro da cela olhando através da grade de madeira para aquele bando de ignorantes que preferiam acreditar na versão dos ditadores. Hoje como em outras vezes eu me pergunto o que teria acontecido com ele. Teria 'suicidado' também?
    (Usuário identificado pelo IP: 187.7.203.198)
  • 5º) comentário por em 10/07/12 19h13
    Essa conversa de indenizar guerrilheiro morto a sei lá quanto tempo é balela, quantos inocentes o estado já matou e ninguem foi indenizado. quantas pessoas já morreram em filas de hospitais sob a tutela do estado e NINGUÉM recebeu nenhuma indenizaçâo,até quando o povo brasileiro vai ser tão hipócrita, os viciados em crack que precisam de tratamento e amparo do estado, assim como todos os demais que padecem em filas de hospitais esses são esquecidos, acorda meu povo.
    (Usuário identificado pelo IP: 177.4.155.225)