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Cleber Toledo É jornalista em Palmas e diretor-executivo do Portal CT |
Pois bem, a carta foi protocolada junto ao gabinete do governador, no Palácio Araguaia, e os dois - Chaves e Geovane - tiveram que reconhecer isso. Contudo, os dois dizem que não foram eles que enviaram aos sites a íntegra do documento. Assim, dizem que não podem responder à acusação de calúnia e difamação, porque não teriam sido eles que deram publicidade ao documento.
Ou seja, o coronel Djalma Ribeiro Cavalcante, presidente do inquérito e que me ouviu nesta quinta-feira, 14, com muita simpatia, por sinal, deixou a entender que nós - diretores dos sites - poderemos ser processados porque fomos nós que demos publicidade ao documento. Queria que eu dissesse quem me enviou a carta.
Disse a ele que não poderia responder porque:
1) Recebo em nossos e-mails de 300 a 350 mensagens por dia, e a cada 30 dias deletamos tudo, porque não há caixa que suporta esse volume.
2) Também, mesmo que soubesse, não responderia para preservar minhas fontes. Pois, ao contrário de alguns, não sou covarde para "tirar o corpo fora para livrar minha pele". E isso é um direito constitucional que tenho como jornalista.
3) Ainda disse que não tenho medo de ser processado. A despeito da covardia de outros, afirmei que publicaria o documento mesmo que o tivesse recebido anonimamente. Por quê? Simples: interesse público. Veja só: dois presidentes de associações militares protocolam carta ao governador denunciando falta de estrutura na corporação e que o comandante-geral da PM teria cometido crimes.
Eu publicaria este documento de qualquer forma. Se o comandante não gostou e o governador não gostou, o problema é deles. Não faço jornalismo para agradá-los, como a maioria por aí. Eu os respeito, mas a prioridade aqui é o interesse público.
Então, eu peço: me processem, por favor! Quero ver qual tribunal sério neste País vai me condenar por eu cumprir minha obrigação profissional. O documento foi protocolado. Isso é fato reconhecido pela PM, governo e acusados. As acusações eram graves e de interesse público. Então, porquê não o publicaria? Nesse contexto, eu publicaria em qualquer circunstância.
O resumo da história é que esse caso trata-se de mera picuinha envolvendo o comandante-geral, coronel Marielton, cabo Geovane e major Chaves.
Enquanto eles fazem jornalistas e oficiais da PM perderem tempo com suas picuinhas, as viaturas continuam paradas sobre as rotatórias numa tentativa de esconder a falta de combustível para fazer o patrulhamento.
Para ilustrar isso, termino com uma mensagem que recebi de uma moradora de Palmas, indignada, em meu Facebook. Confira (transcrevo como recebi):
"Sugestão de Pauta: Se a lei do Silêncio realmente funciona em Palmas, se a polícia tem feito seu serviço de acordo com a lei.
Agora são 00:34, o vizinho está dando uma festa, o som está tão alto que minhas janelas estão tremendo. Já tem uma hora que liguei no 190 e nada de resolverem. Meu pai ligou há 30 minutos, e nada. A lei do silencio é após as 22hs, isto é, se aqui em Palmas tivesse gente pra policiar isso.
Moro na 405 sul. E tá demais viu? Impossivel dormir assim, com criança pequena, trabalhando o dia todo, você pensa que terá descanço a noite, mas não, não tem! E nem justiça pra isso!
Pela quarta vez liguei no 190, o Cabo me disse que tem poucas viaturas e déficit de gasolina, por culpa da prefeitura. É demais, são 01:05 da manhã, o som do vizinho está tão alto que minhas janelas tremem. Isso é um desrespeito viu? Pagamos os impostos em dia e não podemos nem dormir a noite!"
Esta aí: recomendo aos oficiais que dirigem nossa PM e às associações militares que deixem de lado as picuinhas e vão trabalhar!
Os contribuintes, com certerza, agradecerão.



