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Cleber Toledo
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Cleber Toledo é jornalista desde 1992, com passagens por jornais em Paraná, São Paulo e Tocantins. Fundador do Portal CT.

Eduardo Cunha diz que Kátia "usa" PMDB como "aluguel"; nomeações no Ministério da Agricultura seriam a gênesis da resistência

CLEBER TOLEDO, DA REDAÇÃO 03 de Oct de 2013 - 14h37, atualizado às 16h26
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A seção "Tiroteio", da coluna "Painel", do jornal Folha de S.Paulo, desta quinta-feira, 3, trouxe uma frase do líder da bancada do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ): "A bancada do PMDB na Câmara não aceita que Kátia Abreu se filie ao partido. Ela usa a sigla como aluguel e deixa seu filho no PSD", numa referência ao filho da parlamentar, Irajá Abreu, que é tido como o nome que a senadora vai colocar no comando do PSD no Tocantins.

Em Brasília, o comentário desta quinta é que a presidente Dilma Rousseff teria avisado ao seu vice, Michel Temer, que se o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, continuar discursando contra filiação da senadora Kátia Abreu ao PMDB perderá o cargo. De acordo com antigos peemedebistas, Geddel teria pedido para a presidente demiti-lo. "E ele fala isso abertamente, e falou até para o Michel [Temer]", contou uma fonte do Congresso.

Já aliados da senadora disseram ao blog que Kátia tem a clara noção de que o problema desses líderes não é meramente com sua filiação ao PMDB, mas um pouco mais à frente: com a possibilidade de ela, ingressando no partido, assumir o Ministério da Agricultura.

Foto: Internet
 
E pode fazer sentido. O jornal Valor Econômico divulgou no dia 13 de setembro que o líder Eduardo Cunha é responsável por parte significativa das 92 nomeações de servidores do Ministério da Agricultura. O impresso informou que, por meio do próprio site do ministério, é possível localizar documentos enviados em nome de Cunha com recomendações de nomes políticos para cargos técnicos de chefia.

O Valor Econômico disse que as nomeações acatadas pelo ministro Antônio Andrade desagradaram os funcionários do ministério, as entidades do setor como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e fiscais agropecuários que entraram em greve justamente contra a "ingerência política e empresarial na nomeação do novo secretário de Defesa Agropecuária". Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (ANFFA), Wilson Roberto de Sá, os grevistas estão "prontos para a guerra".

Conforme o jornal, apesar do grande volume de novos servidores nomeados pela gestão do PMDB, as áreas técnicas não receberam reforço, segundo os servidores de carreira do ministério. Dados dos fiscais agropecuários indicam que existem 771 profissionais para o controle de 3.251 estabelecimentos registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF). Além disso, eles reclamam que faltam fiscais no próprio ministério para dar andamento nos milhares de processos recebidos pela SDA.

Gênesis do problema
O problema político da senadora com a bancada pode estar relacionada à sua reação às indicações do líder Eduardo Cunha. Segundo o Valor Econômico, Kátia, que é presidente da CNA, disse em agosto que era contra a substituição do ex-secretário de Defesa Agropecuária, Enio Marques, promovida pelo PMDB. "Quero dizer que o dr. Enio, que tinha toda a qualidade para estar nesse local, foi demitido esta semana, e em seu lugar toma posse um senhor que não tem o menor conhecimento da área. [...] como obrigação de senadora e presidente da CNA, estaremos fiscalizando [...], para que nada aconteça com a questão sanitária brasileira", disse Kátia Abreu.

Assim, os aliados de Kátia avaliam que o líder da bancada do PMDB pode estar preocupado com as mudanças que a senadora poderá fazer assim que assumir o Ministério da Agricultura, o que eles dão como certo e fruto de sua filiação agora no PMDB, "dono" da pasta no governo Dilma.

Conforme fontes diversas ouvidas pelo blog, Kátia deverá se filiar nesta quinta-feira, às 17 horas ou às 20 horas.

Guerra à vista?
Ante à filiação de Kátia ao PMDB e sua possível indicação para o Ministério da Agricultura, fontes que conhecem bem o partido e os corredores do Congresso preveem "uma guerra" pela frente. Segundo elas, o líder Eduardo Cunha comanda os 82 deputados do PMDB, mas têm um total de 170 parlamentares que seguem sua orientação. E pretende usar toda essa artilharia para combater, Kátia, Dilma e Temer.

Além disso, as fontes avaliam que Cunha, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), também contra o ingresso de Kátia, e Geddel dominam a executiva nacional da sigla - de 18 membros - e podem tentar anular a filiação de Kátia. 

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